Modelo florestal da Serra do Montejunto divide associação ambiental de Alenquer e ICNF

A Alambi colocou em causa a plantação de pinheiros na Serra do Montejunto em detrimento de sobreiros e azinheiras. O ICNF tem optado pelas replantações de carvalhos e castanheiros mas a Alambi defendeu que os fogos na Serra do Montejunto e outros no país em 2003 demonstraram a falência deste modelo.

A associação ambientalista Alambi colocou em causa a plantação de pinheiros na Serra do Montejunto em detrimento de sobreiros e azinheiras. Recorde-se que este é um modelo florestal que o Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) descartou esclarecendo que têm sido feitas replantações de carvalhos e castanheiros. A Alambi defendeu que os fogos na Serra do Montejunto e outros no país em 2003 demonstraram a falência deste modelo.

A associação liderada por Francisco Henriques argumenta, e citamos, que “grandes extensões de resinosas fora do litoral sem pastoreio, sem a roça de matos, sem a recolha de lenha morta, ou seja, sem gestão ativa, são altamente vulneráveis ao fogo, constituem um perigo para as populações residentes, são um investimento económico sem retorno e constituem um ecossistema ideal para alimentar grandes fogos no verão”.

A ALAMBI recorda ainda que em 2003, dos 1700 hectares ardidos no Montejunto, 950 correspondiam a área de pinhal. Já o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) esclareceu à Agência Lusa que a plantação de um hectare de pinheiros foi feita pelo Conselho Diretivo do Baldio do Vilar e por esta organização apoiado, o que aconteceu no seguimento de muitas outras plantações, com o intuito de recuperar o coberto que a área possuía antes de ter sido atingida pelo incêndio de 2012.

Ainda de acordo com a Alambi, e voltamos a citar, “o clima está a mudar e tornou-se evidente que o modelo florestal seguido para as serras portuguesas durante décadas, assente nas resinosas, já não se adapta ao clima atual e dificilmente se adaptará a um novo modelo climático em que as temperaturas médias podem ser dois ou três graus acima das temperaturas médias atuais”.

Já o ICNF garantiu, e também citamos, que “têm sido efetuadas rearborizações com carvalhos e castanheiros, para além de ações de condução de regeneração natural de carvalhos”, acrescentando que espécies como os pinheiros mansos fazem parte do mosaico diversificado que se pretende atingir. Uma das prioridades do ICNF é recuperar áreas ardidas, apontando para avaliação no final do verão para decidir que ações devem ser desenvolvidas para a recuperação de áreas mais sensíveis que tenham sido afetadas já pelos incêndios deste ano.

A Alambi criticou ainda a falta de um plano de ordenamento 24 anos depois de ter sido criada a Paisagem Protegida da Serra do Montejunto para definir as opções de reflorestação. A Serra do Montejunto apresenta o ponto mais alto da região Oeste elevando-se a 666 metros de altitude e possui uma área de quase cinco mil hectares, onde existem 400 espécies de plantas e 75 espécies de aves diferentes.


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VIAAlexandre Silva
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