Alenquer: camiões continuam a passar às centenas pelas ruas da Passinha, apesar da decisão judicial

Continuam a passar às centenas os camiões pelas estreitas ruas da Passinha e de Casais Novos. A Câmara de Alenquer prometeu "reduzir rapidamente” os impactos da passagem destes pesados, depois de os moradores terem voltado a marcar presença na última reunião do executivo camarário.

A Passinha continua a viver o inferno do trânsito de veículos pesados através das suas estreitas e impreparadas ruas. A Câmara de Alenquer prometeu “reduzir rapidamente” os impactos da passagem destes camiões tanto na Passinha como também em Casais Novos, depois de os moradores terem voltado a marcar presença na última reunião do executivo camarário.

Foi precisamente durante esta sessão, que decorreu na manhã de segunda-feira, que representantes dos moradores mostraram-se descontentes com a continuidade da passagem de camiões da empresa Santos e Vale. Estes pesados continuam a fazer a vida num inferno a quem vive na Rua do Batalheiro, na Avenida da Juventude e na Rua das Camélias nos Casais Novos. São às centenas os pesados que por ali circulam, muitos deles em velocidades excessivas.

Nádia Loureiro foi uma das moradoras presentes na reunião de câmara e relatou que num período de 24 horas contou 238 camiões durante o dia e 43 à noite. “É insustentável, quando antes era uma zona calma”, sublinhou esta moradora, que acrescentou: “Para além do ruído não existem passeios construídos, o que coloca em risco quem circula a pé”.

Hélder Francisco foi outro dos moradores presentes na reunião do executivo municipal. “A circulação de camiões é de dia e de noite, e é lastimável o estado em que vivem os moradores nesta localidade”, afirmou, acrescentando: “Tudo estremece, parece uma trovoada, porque passam a toda a velocidade”. Da mesma opinião partilhou Ludovina Vieira, adiantando que por dia passam entre 200 a 300 camiões na Passinha, o que leva a que esta moradora assegure ter dificuldade em dormir devido ao barulho causado pelo piso irregular da estrada na Avenida da Juventude.

Pedro Folgado voltou a referir o que já tinha afirmado ao Fundamental Canal. O autarca assegura que vive este problema com grande preocupação e afirma que quer reduzir rapidamente os impactos desta circulação de pesados através da implementação de várias medidas, entre as quais impor limites de velocidade. Folgado explicou que há mais de um ano que está a negociar a aquisição de terrenos para o município construir uma via alternativa assegurando que, caso não chegue a acordo com o proprietário sobre os valores da aquisição, tenciona expropriar o terreno.

Os moradores da Passinha e de Casais Novos deixam claro que não exigem a deslocalização da empresa Santos e Vale. Pedem somente que os impactos com a passagem dos veículos pesados sejam minimizados com a construção de passeios, bem como a colocação de lombas e espelhos, além da sinalização de limite de velocidade.

Recordemos que, tal como o Fundamental noticiou em primeira mão, uma sentença judicial limitou a circulação a 20 camiões por dia e 7 por noite na Rua dos Bons Amigos, no coração da Passinha. Pedro Folgado recordou que, no âmbito do processo de licenciamento da Santos e Vale, a empresa apresentou um estudo de tráfego que apontava para a passagem de 20 camiões por dia. “A autarquia confiou no que estava a ser apresentado”, recorda Folgado.

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VIAAlexandre Silva
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