ALAMBI elege Canhão Cársico e Passeio Pedonal da Merceana “o melhor do ambiente em Alenquer”

A ALAMBI elegeu três vertentes relacionadas com o ambiente que configuram o melhor e o pior de 2022 em Alenquer. O Canhão Cársico de Ota ter passado a integrar a Rede Nacional de Áreas Protegidas, o passeio pedonal da Merceana e ainda a criação da rota das árvores nativas e emblemáticas de Alenquer foram elogiadas pela associação.

A Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente de Alenquer elegeu três vertentes relacionadas com esta temática e que na perspetiva dos responsáveis pela ALAMBI configuram aspetos positivos do ano de 2022 no que ao ambiente em Alenquer diz respeito. O facto do Canhão Cársico de Ota ter passado a integrar a Rede Nacional de Áreas Protegidas, o passeio pedonal da Merceana e ainda a criação da rota das árvores nativas e emblemáticas de Alenquer foram elogiadas pela associação.

“A Alambi avalia o que, em nosso entender, constituiu o melhor e o pior para o ambiente no município de Alenquer no ano que agora findou, bem como o que nos parecem ser as expectativas mais relevantes para o futuro próximo”, afirma Francisco Henriques, presidente da associação ambientalista. Já como “o pior de 2022” a ALAMBI escolheu “a Paisagem Protegida da Serra de Montejunto que continua sem um projeto de conservação e as pedreiras de Alenquer que continuam a ser um espaço sem lei”, citando o mesmo responsável.

De acordo com a ALAMBI, “o Castro de Ota passou a ser alvo de trabalhos de arqueologia; o rio teve este ano trabalhos de conservação em que foram removidas espécies invasivas e lixo, e num pequeno espaço das matas da Serra desenvolveu-se um interessante trabalho de reabilitação da floresta nativa”. O lider da associação afirmou também: “No mês de setembro o Ministro do Ambiente compareceu nas cerimónias do aniversário e trouxe a excelente notícia da sua integração na rede nacional de áreas protegidas”.

Já quanto ao passeio pedonal da Merceana, Henriques referiu: “Foi uma boa medida que esperamos tenha continuidade noutras zonas do município. As estradas, que sempre foram espaços de mobilidade para múltiplas formas de utilização, foram nas últimas décadas consagradas em exclusivo aos automóveis. Nem mesmo as bermas, vedadas com rails em múltiplos locais, ou ocupadas com valetas, restam para ser utilizadas em segurança pelos peões”, acrescentou.

No que diz respeito à rota das árvores nativas e emblemáticas de Alenquer Francisco Henriques afirma: “foi outra boa notícia para o Ambiente. Atribuir importância a árvores nativas, grande parte das quais, pelo seu porte, são raridades que constituem os últimos sobreviventes de um tempo em que a natureza era dominante, é valorizar a natureza e promover a sua conservação onde ela se encontra mais degradada”.

O dirigente também escolheu os dois aspetos menos positivos de 2022 no que ao ambiente diz respeito no Concelho de Alenquer. “A Paisagem Protegida da Serra de Montejunto continua sem um projeto de conservação. Com 900 hectares de eucaliptos no seu espaço esta é mesmo a única espécie em expansão nesta Área Protegida. Algumas das plantações são clandestinas, mas nada foi feito para remediar a situação e repor a vegetação original”, afirma Henriques, concluíndo: “são realizados trabalhos simbólicos de conservação e, na falta do essencial, que é o plano de Ordenamento e Gestão, cada uma das partes envolvidas continua a fazer o que quer e à sua maneira”.

“Também as pedreiras de Alenquer continuam a ser um espaço sem lei, onde as entidades fiscalizadoras têm permitido quase tudo. A excessiva aproximação dos desmontes a esta estrada, em incumprimento da legislação de proteção e dos Planos de Lavra, criou falésias de ambos os lados da estrada que poderiam originar uma situação semelhante ao acontecimento de Borba. As pedreiras constituem má vizinhança para as populações limítrofes e constituem um enorme fator de desvalorização do território ao produzirem paisagens degradadas”, diz igualmente o presidente da ALAMBI.

O dirigente ambientalista refere-se também ao Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas que arrancou em 2022: “Os cenários previstos neste documento para a região Oeste são alarmantes: aumento dos fenómenos extremos como secas, verões mais quentes e número de dias de ondas de calor, incêndios florestais e diminuição da produtividade agrícola. Alenquer e Arruda dos Vinhos, os dois municípios da região mais afastados do oceano, são aqueles para os quais são projetados os efeitos mais gravosos e o verão de 2022 pode ter sido já uma projeção do futuro”, avisa Francisco Henriques.

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