Ana Coelho indignada com Inês Louro: “Ela diz que morreram pessoas no concelho por eu ter ido de férias”

A última reunião de câmara do executivo de Azambuja teve lugar em Manique do Intendente e a eleita do Chega voltou a estar sobre ataque cerrado tanto de Ana Coelho como de José Manuel Pratas. O antigo vice-presidente acusou a advogada de "engraxar" Rui Corça para conseguir uma avença onde este trabalha.

José Manuel Pratas continua a dar cartas na política autárquica no Concelho de Azambuja. Embora afastado de qualquer cargo oficial no âmbito na Câmara Municipal, o antigo vereador e vice-presidente marca presença nas reuniões do executivo e não resiste a mandar umas bicadas políticas aos elementos da oposição ao executivo socialista. Foi o que aconteceu na passada terça-feira em Manique do Intendente.

A reunião descentralizada começou com a intervenção do público presente, e José Manuel Pratas aproveitou a oportunidade para se dirigir à vereadora eleita pelo Chega. “A senhora exagerou ao fazer a promoção da vereadora Ana Coelho, referindo-se à ausência dela do edifício da câmara então há 31 horas por motivo de férias; não é que ela não mereça pelo trabalho que tem feito, mas a sua promoção à vereadora até pecou por excesso”, disse Pratas, de forma obviamente irónica.

Recorde-se que recentemente Inês Louro propôs ao Presidente da Câmara de Azambuja que retirasse o pelouro da saúde a Ana Coelho e atribuísse o mesmo a Rui Corça, que é o líder da oposição eleito pelo PSD. José Manuel Pratas não perdoou e com a sua argúcia política foi mais longe: “O senhor Rui Corça candidatou-se para distribuir pelouros, e não para recebe-los; posso estar enganado, e se estiver peço desculpa, mas essa sua proposta não terá a ver com as funções que o senhor Rui Corça agora desempenha e os conhecimentos que ele agora tem? Não estará a senhora vereadora a preparar o caminho para receber alguma avença?”.

De acordo com José Manuel Pratas, a vereadora do Chega e advogada Inês Louro estará desta forma a interceder por Rui Corça para que este a beneficie com a atribuição de um cargo avençado onde trabalha: “O vereador, no cargo que agora ocupa, ajuda a gerir um orçamento 4 ou 5 vezes superior ao da câmara de Azambuja”, acrescentou ainda José Manuel Pratas, justificando o seu ponto de vista. O antigo autarca ainda se referiu ao recente ataque da representante do Chega a Ana Coelho: “Pelo que interpretei, foi devido à ausência da vereadora em gozo de um direito às férias que daí resultou a falta de oxigénio para as pessoas do concelho”.

Já Inês Louro respondeu a Pratas, mas não o desmentiu em relação à suposta tentativa de conquistar uma avença junto de Rui Corça: “O senhor José Manuel está tudo menos mal esclarecido, e já não é a primeira vez que faz questão de vir às reuniões de câmara falar da minha atividade política”, começou por dizer a representante do Chega, para a seguir justificar a sua intervenção na anterior reunião do executivo, durante a qual considerou “imoral” que a vereadora que tutela a pasta tenha usufruído de uns dias de férias tendo em conta a situação do setor da saúde no concelho.

Quem não ficou calada foi a vereadora Ana Coelho. A responsável pela pasta da saúde atacou forte e feio a representante do Chega: “Voltei a ter a desfaçatez de ouvir o discurso ignorante da vereadora Inês, que eu só posso apelidar de discurso ignorante; ataca um direito que qualquer pessoa tem, o direito às férias. Eu fui 5 dias de férias e não foi nesses dias que a questão dos médicos de família piorou no concelho de Azambuja”, argumentou Ana Coelho.

A eleita socialista foi mais longe: “Este seu discurso só mostra a ignorância que a senhora tem em relação às competências do município quanto às questões da saúde, cuja responsabilidade de contratação de médicos não nos cabe; e é igualmente falso que tenhamos tido na gaveta um projeto de regulamento ou que estivéssemos à espera que ela (Inês Louro) enviasse o seu projeto para depois o copiarmos”.

Ana Coelho passou depois para o ataque cerrado: “Ela (Inês Louro) disse coisas gravíssimas, como estarem pessoas a morrer no concelho por eu ter estado de férias, e eu quero que me diga quem são e quantas foram as pessoas que morreram no concelho por eu estar de férias, porque isto é um assunto demasiado grave para se vir para aqui papaguear para uma reunião de câmara”.

VIAAlexandre Silva
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