
O Comandante dos Bombeiros Voluntários de Azambuja alerta: a corporação há mais de dez anos que aguarda por novo veículo de desencarceramento. E o velho veículo que assegura a custo esta missão desde há 58 dias que está “no estaleiro”, inoperacional. Ricardo Correia dirigiu-se em carta aberta à Secretária de Estado da Administração Interna e ainda ao Brigadeiro General José Manuel Duarte da Costa.

A situação arrasta-se no tempo e foi bem recentemente relembrada por André Salema, atual Presidente da Junta de Freguesia de Azambuja e antigo presidente da Direção dos Bombeiros Voluntários, durante a última Assembleia Municipal. E agora Ricardo Correia reforça as preocupações dos Voluntários locais: “O Corpo de Bombeiros de Azambuja há uma década que está sem veículo de desencarceramento e o que está com essas funções está avariado desde o dia 6 de maio”.
De acordo com o Comandante, esta será uma avaria complexa e grave no sistema de injeção de combustível. “Tendo em conta a idade do veículo (1995, 27 anos) o fabricante não possuí peças, sendo necessário uma grande ginástica por parte do mecânico para o conseguir reparar”, assegura Ricardo, que complementa: “Durante estes 58 dias andámos com milhares de euros de equipamentos de desencarceramento a serem transportados numa carrinha de caixa aberta como se de repente tivéssemos andado 50 anos para trás”.
As imagens a que o Fundamental teve acesso não deixam dúvidas (ver em cima) e mostram uma carrinha de caixa aberta a transportar peças de reparação para o tal veículo de desencarceramento com 27 anos. As peças andam a circular a céu aberto e valem milhares de euros, estando sujeitas a qualquer percalço ou ação de amigos do alheio. O comandante alerta para a incapacidade que os Voluntários de Azambuja têm neste momento de corresponder a qualquer ação de salvamento por desencarceramento.
Ricardo Correia recorda igualmente, e citamos, que “Azambuja é um polo logístico importante de âmbito nacional, com empresas responsáveis por abastecer mais de 6 milhões de Portugueses, que armazenam e transportam de tudo o que possa existir num supermercado, o que obriga ao trânsito constante de pesados de mercadores e alguns com matérias perigosas”, e pergunta: “Onde estão os impostos destas empresas em reflexo de investimento quando nos referimos à segurança que lhes é preciso prestar?”
O Comandante dos Bombeiros de Azambuja também se refere à fatídica Estrada Nacional 3 e aos acidentes frequentes que assolam este troço, relembrando também a A1 e a EN366: “A casuística de acidentes de viação que a cada dia que passa aumenta a sua complexidade, com cada vez mais acidentes envolvendo pesados de mercadorias e encarcerados, sendo que um veículo de caixa aberta não garante nem a eficácia nem o acondicionamento do material e principalmente a segurança dos meus Homens e Mulheres”, alerta.
Ricardo Correia complementa, manifestando extrema preocupação: “A próxima avaria deste veículo de desencarceramento e a consequente falha no socorro prestado pelos nossos Bombeiros poderão estar para breve, e aguardamos que ninguém perca a vida a esperar pelo socorro, pelo que urge pensar em resolver este problema; Portugal não é só fogos rurais e não poderemos adiar este dilema por mais tempo, principalmente focados num quadro comunitário 20-30 sem data para acontecer”.






















