Alcoentre: Estado quer meter na rua idosos reformados que vivem nos bairros das prisões

Pelo menos 16 moradores dos bairros contíguos aos estabelecimentos prisionais de Alcoentre e de Vale Judeus receberam uma carta com ordem de despejo e indicação para restituírem as casas ao Estado. A maioria destes moradores são idosos e já vivem nestes bairros há longos anos.

Pelo menos 16 moradores dos bairros contíguos aos estabelecimentos prisionais de Alcoentre e de Vale Judeus receberam uma carta com ordem de despejo e indicação para restituírem as casas ao Estado. A maioria destes moradores são idosos e já vivem nestes bairros há longos anos, tratando-se de pessoas bem conhecidas de Alcoentre e Quebradas. Estas pessoas estão desesperadas e não sabem o que fazer à vida.

É o caso de Maria Júlia, que tem 80 anos e vive numa destas casas em Alcoentre há mais de 40 anos. Ficou viúva há 5 anos mas continuou a viver na casa que havia sido atribuída ao marido, antigo guarda prisional em Alcoentre. Maria Júlia recebeu agora uma carta da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais com uma ordem de despejo. Até ao fim de Julho esta senhora terá de deixar a casa.

“Não sei o que vou fazer à minha vida”, disse Maria Júlia, que revela receber uma reforma de somente 400 euros. As cartas foram enviadas somente a pessoas reformadas ou familiares aposentados de antigos guardas já falecidos, mas o Estado não apresenta quaisquer soluções alternativas para o alojamento destes idosos. Simplesmente coloca as pessoas na rua, como se fossem objetos.

De acordo com moradores antigos ouvidos no local, entre Vale de Judeus e Alcoentre existirão mais de duas centenas de habitações integradas nestes dois bairros contíguos aos estabelecimentos prisionais que existem nesta freguesia do Concelho de Azambuja, mas serão pouco mais de uma dezena as que estão habitadas por guardas no ativo. O que significa que o Estado terá por ali quase duzentas casas ao abandono. Mesmo assim a ordem é para despejar os e as idosas que ali vivem há longos anos.

Já a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais justifica estas ordens de despejo com o facto destes moradores já não estarem no ativo. Muitos destes moradores, antigos guardas, já se aposentaram há mais de 15 anos. Luís Pinheiro, de 71 anos, é um destes casos. Este antigo guarda prisional de Alcoentre afirma que investiu dinheiro na casa onde sempre morou: “O que irá acontecer se eu não sair é que me vão por na rua, a mim e aos outros, e como não tenho para onde ir ponho a mobília aqui fora na rua e durmo ao lado dela”, assegura este homem.

VIAAlexandre Silva
FONTECMTV
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