“Pintar e Cantar dos Reis”: tradição de Alenquer elevada a Património Nacional Cultural Imaterial

A tradição alenquerense “Pintar e Cantar dos Reis” foi recentemente elevada a Património Nacional Cultural Imaterial. O anuncio foi efetuado no dia 16 de julho pela Direção-Geral do Património Cultural.

A tradição alenquerense “Pintar e Cantar dos Reis” foi recentemente elevada a Património Nacional Cultural Imaterial. O anuncio foi efetuado no dia 16 de julho pela Direção-Geral do Património Cultural. Recordemos que em 2016 o município avançou com a candidatura desta tradição. O objetivo foi, e citamos, “preservar a identidade e cultura, a tradição oral e a autenticidade do povo alenquerense”.

Esta tradição de Alenquer tem vindo a resistir ao tempo e progressivamente a rejuvenescer junto das comunidades do concelho. “Com esta inscrição, o município reuniu um conjunto de documentos – vídeos e obra impressa – com o intuito de estabelecer um vínculo futuro de memória coletiva com o país“, afirma Rui Costa.

O vereador da Cultura na Câmara de Alenquer acrescenta: “A ideia subjacente a esta candidatura é a promoção e salvaguarda desta tradição, enquanto manifestação cultural, promovendo o aumento do interesse público e da sua integração e coesão social, com vista à promoção da sua sustentabilidade, conservação e valorização“, frisando igualmente que o reconhecimento estatal é, e voltamos a citar, “um fantástico e justíssimo reconhecimento a todos os homens e mulheres do nosso concelho que ao longo dos séculos têm mantido esta tradição viva e que os deve encher a todos de orgulho“.

O autarca acredita que “Pintar e Cantar dos Reis” é atualmente a mais valiosa manifestação de património cultural imaterial do concelho. “Por essa razão foi com uma enorme felicidade que recebemos esta notícia; é o corolário de mais uma etapa, depois de concluído o estudo inicial com a edição de um livro e documentários, seguido da declaração como Património Cultural Imaterial de Interesse Municipal e agora com este reconhecimento nacional”, acrescentou.

Sobre a tradição. De norte a sul do país, na noite de 5 para 6 de janeiro, cantam-se os Reis de porta em porta mantendo viva uma tradição antiga. Mas em algumas terras do concelho de Alenquer, antes de se cantarem, pintam-se nas paredes das casas símbolos e desejos de felicidades para o ano que começa e é aqui que reside a verdadeira originalidade.

Os reiseiros, assim se chamam os que cumprem este ritual, dividem-se em dois grupos: o primeiro, munido de lanternas, pincéis e tintas, marca o trajeto com pinturas, servindo-se de um código em que as cores vermelha e azul desempenham um papel importante. Os desenhos compõem-se de corações e vasos floridos, estrelas, símbolos de profissões – como uma balança ou um martelo – a sigla «B.R.», que quer dizer «Bons Reis» e ainda a data. O segundo grupo, após o apontador cantar a solo, entoa melodias e deixa votos de felicidades para o ano novo.

A tradição mantém-se viva, com ligeiras variantes, em lugares como Catém, Casal Monteiro, Ota, Abrigada, Bairro, Olhalvo, Pocariça, Mata e Penafirme da Mata, Cabanas do Chão, Cabanas de Torres e Paúla, cobrindo cerca de um terço da área do concelho. Mas há memória de se terem pintado e cantado os Reis em Meca, Espiçandeira, Canados, Bogarréus, Fiandal, Estribeiro, Valverde, Calçada, Pereiro, Aldeia Gavinha e Penedos.


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