Incêndio no Aterro de Azambuja: coluna de fumo preto foi visível a 16 quilómetros de distância

Uma extensa coluna de fumo preto emergiu no inicio de tarde desta terça-feira do aterro da Triaza, mais conhecido de forma depreciativa por “lixeira de Azambuja”. O incêndio deflagrou pouco após as 14 horas e a coluna de fumo preto foi visível no Carregado, a mais de 16 quilómetros de distância. O Presidente da Câmara de Azambuja ainda está no local a esta hora (16,05 horas) e os trabalhos de remate deste incêndio vão prolongar-se até ao final da tarde.

De acordo com Luís de Sousa o incêndio terá deflagrado no inicio da tarde no próprio aterro. O vento forte que se faz sentir na tarde desta terça-feira terá contribuído para o alastrar do mesmo aos terrenos contíguos. O incêndio foi combatido no local pelas corporações de Bombeiros de Azambuja e de Alcoentre, e foi mesmo acionado um meio aéreo de auxilio no combate às chamas, que entretanto terá sido desmobilizado porque os operacionais no teatro dos acontecimentos entenderam que o mesmo não seria necessário face à dimensão do incêndio.

O Aterro da Triaza continua a constituir uma grande dor de cabeça para os habitantes de Azambuja, que em permanência têm de conviver com a atividade deste depósito de resíduos sólidos. Aquele aterro sanitário tem tirado noites de sono também aos autarcas que continuam a pretender encerrar o depósito de lixo. Recentemente a Agência Portuguesa do Ambiente afirmou a legalidade do aterro, o que deixou os responsáveis pela autarquia local com os nervos em franja.

A renovação da licença de funcionamento do aterro por parte deste organismo governamental foi mais um recuo nas assumidas pretensões dos governantes locais de encerrar a lixeira. Neste aspeto maioria e oposição estão alinhadas pelo mesmo diapasão. O Partido Socialista assumiu responsabilidades e desde há mais de um ano que se bate pelo fecho da lixeira.

Desta forma, os autarcas locais enveredaram pelo caminho de procurar provar que a empresa Triaza, que explora o aterro, desde há muito que ultrapassou as cotas permitidas pelos termos do licenciamento. Câmara e Triaza estão, desta forma, em guerra aberta e assumida, tendo recentemente a autarquia chegado ao ponto de solicitar a presença de agentes da GNR para poder entrar no aterro e fiscalizar a atividade do mesmo.

A Câmara de Azambuja relembra: “Estavam previstas três células para depósito de resíduos; mas a autarquia aprovou por unanimidade a caducidade do projeto e o arquivamento oficioso do processo que envolvia a abertura das células 2 e 3”. Os responsáveis camarários alegam que a Triaza desde há muito que ultrapassou as 201 868 toneladas de capacidade de armazenamento de lixo permitidas pelo licenciamento.

Já a empresa afirma que até ao momento somente armazenou cerca de 173 mil toneladas, pelo que entende poder continuar a receber camiões de lixo para descarregar nestas martirizadas terras, ali mesmo às portas da vila de Azambuja. E para arreliar ainda mais os autarcas locais, a Agencia Portuguesa do Ambiente reconhece razão às pretensões da Triaza. Luís de Sousa relembra: “Durante a atividade deste aterro á demos conta de diversos atropelos à Lei por parte da Triaza”. A autarquia afirma ter dado conta destas ilegalidades às autoridades competentes, tal como também agiu judicialmente contra a empresa acumuladora de lixo.

A autarquia de Azambuja pretende, desta forma, encerrar imediatamente a célula 1, que acolhe atualmente todo o lixo que chega àquele espaço, assim como pretende não permitir que a empresa dê seguimento à sua atividade inaugurando mais duas células de recolha de resíduos. “A Câmara de Azambuja não permitirá a abertura de novas células e está a fazer tudo o que pode para assegurar o encerramento da atual”, complementa o presidente da autarquia.

Ainda a propósito da posição manifestada pela Agência Portuguesa do Ambiente, o responsável pela Câmara de Azambuja refere: “É praticamente inconsequente, porquanto nunca iremos permitir que a Triaza abra mais células para depósito de lixo”. E no meio de todo este imbróglio, a verdade é que a vila de Azambuja continua a ter de conviver paredes meias com esta aberração ambiental.


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