
Vera Braz assegura que não coloca sequer a possibilidade de ver algum vereador do Partido Socialista eleito na Câmara de Azambuja votar contra o projeto dos painéis fotovoltaicos previsto para a Quinta da Torre Bela. O Fundamental questionou a Deputada na Assembleia da República acerca deste tema e Vera reforçou a sua crença de que as dúvidas dos eleitos locais serão esclarecidas e dissipadas até à votação deste processo em Assembleia Municipal.

Recordemos que os painéis fotovoltaicos só poderão avançar na Quinta da Torre Bela caso a autarquia aprove um estatuto de utilidade pública para edificar o projeto naquele local, uma vez que o PDM não permite construir os painéis dentro da legalidade prevista no Plano Diretor Municipal. Para o efeito esse estatuto de utilidade pública terá de ser votado em Assembleia Municipal, mas antes terá de passar pela Câmara Municipal, onde presidente e vereadores terão de votar uma recomendação para que o processo seja então decidido em Assembleia.

Caso a recomendação não seja votada favoravelmente em Reunião de Câmara a mesma nem sequer chegará à Assembleia Municipal e o projeto irá por água abaixo, a não ser que o Governo Central resolva contrariar o Município e suspenda o PDM para poder permitir a construção do parque fotovoltaico, o que abriria seguramente uma “guerra” entre poder central e a Autarquia de Azambuja.

Acrescente-se ainda, para melhor compreensão do leitor em relação a esta questão, que os dois vereadores do PSD na Câmara de Azambuja já anunciaram que votam contra a tal recomendação. O Presidente Luís de Sousa e David Mendes (CDU) votam a favor, e neste momento é desconhecido o sentido de voto dos eleitos Silvino Lúcio, Sílvia Vítor e António José Matos, todos eleitos pelo PS. Caso dois destes três vereadores votem contra, então não haverá projeto dos painéis solares na Quinta da Torre Bela, pelo menos através de uma solução pacífica.

E foi acerca deste cenário de incerteza sustentado nas dúvidas que alguns vereadores socialistas alimentam sobre este projeto que o Fundamental questionou Vera Braz sobre o assunto: “Todos sabemos que os painéis fotovoltaicos trazem benefícios, é uma energia limpa e é algo que nos ajudará a atingir as metas que se colocam quanto à descarbonização“.
Vera Braz acrescenta: “Não vejo que o projeto em si tenha algo de negativo para o Concelho de Azambuja“. A Deputada refere igualmente que, e citamos, “terão de ser avaliadas algumas situações relacionadas com o município para que este projeto possa beneficiar o Concelho de Azambuja no seu todo“.

Vera Braz garante que compreende as dúvidas que alguns vereadores socialistas possam ter em relação a este projeto previsto para a Torre Bela: “Os vereadores já tiveram oportunidade de esclarecer as dúvidas que legitimamente tinham, até em termos de impactos ambientais inerentes àquela obra“. Vera Braz assegura: “Enquanto Deputada na Assembleia da República o meu objetivo é alcançar o melhor para o município e para as pessoas que vivem no Concelho, sendo este um projeto que irá beneficiar muito mais do que o território municipal“.

Sobre a possibilidade de haver algum eleito socialista a votar contra o projeto e deste não vir a ser aprovado, a Deputada afirma: “Não vou colocar sequer essa hipótese; antes de tal cenário acontecer teremos todos de chegar ao que será melhor para o Concelho de Azambuja“, referiu Vera, acrescentando: “É muito importante que o município possa estar na linha da frente em projetos desta envergadura para o seu território, para mais um projeto que terá um impacto e reconhecimento enorme tanto a nível nacional como internacional“.

O Fundamental questionou igualmente Vera Braz acerca da polémica “montaria” da qual resultou a morte de 540 animais na Quinta da Torre Bela: “É uma situação com a qual não poderemos concordar e que queremos ver esclarecida; ficámos extremamente chocados com aquela situação“. A Deputada apresentou já hoje o caso na Assembleia da República, tendo questionado Ferro Rodrigues sobre a legalidade desta polémica “caçada” noticiada pelo nosso jornal em primeira mão e que revoltou o Concelho de Azambuja e a região.

















