PSD de Alenquer sem comissão política pode levar Rogeiro a recusar ser recandidato

Qual será o futuro imediato do PSD em Alenquer? A pouco mais de um ano das eleições o partido não tem Comissão Política em atividade. Frederico Rogeiro poderá mesmo não estar disponível para ser recandidato neste estado de inércia dos social democratas.

Qual será o futuro imediato do PSD em Alenquer? A pouco mais de um ano das próximas eleições autárquicas a secção local do partido fundado por Sá Carneiro não tem Comissão Política em atividade e a dinâmica garantida por Vítor Ronca nas últimas décadas é atualmente uma recordação do passado. Frederico Rogeiro poderá mesmo não estar disponível para ser recandidato neste estado de inércia dos social democratas.

O Fundamental falou com o vereador cujo trabalho na autarquia é unanimemente elogiado dentro do PSD de Alenquer. “Eu conheço a situação do partido e reconheço que o facto de não haver uma Comissão Política eleita não configura o melhor cenário para aceitar ser recandidato”, assume Frederico Rogeiro, acrescentando: “Um candidato precisa de ter um partido que o apoie e se esse partido não tem uma CP eleita, à partida não haverão condições para assumir uma recandidatura”.

Rogeiro garante que, não obstante a contrariedade relacionada com a situação interna do partido que o suporta na autarquia, ainda não colocou essa situação aos responsáveis do PSD apresentando-a como uma espécie de ultimato. “A reflexão que fiz com as pessoas do PSD têm a ver sobretudo com as minhas condições pessoais para avançar; não tendo feito a exigência de haver uma Comissão Política, esse cenário será à partida uma exigência que não é exclusivamente minha, mas antes será exigência de qualquer candidato”, afirma o vereador que em 2017 liderou a lista que elegeu duas representações na Câmara de Alenquer.

Frederico Rogeiro reforça a ideia de que em causa estará sobretudo a sua disponibilidade pessoal, e essa relacionar-se-á mais com a sua vida privada do que com a situação atual vivida pelo PSD de Alenquer. “Eu acho que 44 anos de vida de um partido (socialista) que ainda por cima tem sido muito ativo na sua propaganda e no controlo que faz da sociedade causam um desgaste natural nos adversários políticos. Essa situação tem limites e possivelmente estaremos a atingir esses limites”, admite ainda Rogeiro, numa análise que procura justificar a situação por que passa o PSD de Alenquer.

Frederico Rogeiro acrescenta a este propósito: “Está na hora das pessoas olharem para o PSD não por ser o cor de laranja contra o rosa mas antes como um instrumento que pode garantir uma alternativa política para os que estão insatisfeitos, porque o facto de não termos equilíbrio político em Alenquer não é um problema do PSD; antes, é um problema das pessoas, das populações”. Rogeiro afirma que o facto das pessoas, e citamos, “encostarem-se sempre para o mesmo lado” acaba por ser um problema coletivo que nas suas palavras assola a sociedade alenquerense.

Recorde-se que a Comissão Política liderada por Micael Correia terminou o seu mandato em Março deste ano e desde então não há quem se perfile para dar continuidade ao trabalho exigente de liderar uma comissão política, para mais num concelho claramente dominado pelo Partido Socialista. “Eu estou confiante que o partido encontre uma solução, não sei se renovadora ou se baseada nas pessoas que fazem parte do universo do PSD. Faço votos para que tal aconteça, nem tanto como vereador eleito pelo partido mas mais até como alenquerense, e estendo estes votos aos restantes partidos, para bem de Alenquer”.

Rogeiro volta a reforçar que o ser recandidato não é algo que o beneficie na sua vida privada, mas assegura que esse sacrifício terá de ser equacionado até porque, e voltamos a citar o vereador, “a democracia faz-se de pessoas e nós não podemos ficar na bancada a esperar que a democracia exista sem o nosso contributo”. Frederico Rogeiro não impôs ao PSD um prazo para a resolução do problema da inexistência de uma Comissão Política. Para já, o vereador está na expetativa quanto ao futuro próximo do partido que o suporta na Câmara de Alenquer, com as autárquicas de 2021 no horizonte.


“5300 alenquerenses querem reversão do serviço da água” – Carlos Ferreira em entrevista no F-Canal

Carlos Ferreira é um dos grandes dinamizadores do Movimento Alenquer Água Justa a par de Alfredo Trinca e de António Matos. Um ano depois da fundação do Alenquer Água Justa, Carlos regressa ao nosso estúdio para fazer um balanço destes derradeiros meses.

VIAAlexandre Silva
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