Carregado: urbanização invadida por parque ilegal com 40 mil contentores

Carregado: um parque ilegal de 40 mil contentores coloca em perigo 900 crianças e jovens que estudam na EB 2,3 bem como a qualidade de vida dos habitantes da Barrada. A Câmara vai multar o dono do terreno mas não tem competência jurídica para determinar o fim da actividade ilícita.

A Urbanização da Barrada continua a ser martirizada pelo trânsito de veículos pesados. Depois de se ter livrado do parque de camiões que durante anos condicionou a qualidade de vida dos seus habitantes, este bairro da Vila do Carregado está agora invadido por pilhas de contentores marítimos que se amontoam nas antigas instalações da empresa Peri. O parque de contentores está ilegal e o proprietário vai ser multado pela Câmara de Alenquer.

Este parque ilegal está a ser apresentado aos grandes transitários como sendo um parque que vem dar resposta ao “hinterland de Lisboa”, situado na zona da Bobadela e que se apresenta sem capacidade para receber mais contentores. A “propaganda” apresenta o parque da Barrada como tendo 55 mil metros quadrados e capacidade para receber 40 mil unidades. E até refere o horário de funcionamento: das 8 às 20 horas, diariamente. As coordenadas GPS do local são acrescentadas nos folhetos promocionais da Green Ibérica, como se pode ver na imagem.

José Martins, Presidente da Junta de Freguesia do Carregado, assegura ao Fundamental: “Aquilo é para terminar, porque não está licenciado e inclusive a Câmara Municipal já passou a contra-ordenação ao proprietário do terreno”. De acordo com o autarca do Carregado, o processo está na fase das alegações produzidas por ambas as partes. O proprietário do terreno terá apresentado as suas razões e a autarquia não tem competência para determinar a saída dos contentores daquele terreno.

Ainda de acordo com José Martins, o parque teria previsto o armazenamento de 40 mil contentores. “Estarmos a tirar um parque de pesados de dentro da Urbanização da Barrada e depois irmos meter ali um parque com 40 mil contentores não faria qualquer sentido”, reforça o Presidente da Junta, relembrando uma vez mais a ilegalidade total daquela actividade, ainda para mais num terreno classificado de Reserva.

José Martins acrescenta que a contra-ordenação foi emitida pela Câmara de Alenquer em nome, e citamos, “do cabeça de casal que vai beneficiar da herança, o herdeiro daquele terreno”. Refira-se que o terreno em causa pertence à família Pinto Barreiros. O assunto vai ser debatido na próxima sessão da Assembleia Municipal de Alenquer. “Estão ali à revelia e portanto vão ter de acabar por sair”, reforça uma vez mais Martins.

Também a Associação de Pais e a Direcção do Agrupamento de Escolas do Carregado entraram em acção e pediram explicações à Câmara de Alenquer sobre este assunto. Rui Pedro Pires, Presidente da Associação de Pais, refere: “Para nós, elementos activos do sistema educativo desta localidade, faz-nos sentir muito inquietos, já que a segurança dos alunos e a salubridade de todos poderá estar em causa”.

Acrescente-se que o agora parque ilegal de contentores está situado paredes-meias com a Escola EB 2,3 do Carregado, onde diariamente estudam cerca de 900 crianças e jovens, boa parte dos quais se desloca a pé para aquele estabelecimento de ensino, tendo que conviver e dividir a estrada por onde caminham com os camiões que transportam estes contentores gigantescos.

A este propósito, a Associação de Pais e a Direcção do Agrupamento de Escolas do Carregado acrescentam na carta dirigida à autarquia central: “Não nos parece que este parque respeite na íntegra o edifício escolar e a área envolvente, não nos parecendo igualmente que tenha sido acautelado este respeito, atendendo à ausência de informação e participação neste processo deste Agrupamento de Escolas e da própria Freguesia do Carregado e Cadafais”.

Como já frisámos nesta reportagem, a autarquia de Alenquer já multou o proprietário do terreno, estando o processo na fase de alegações. Mas como também já referimos, não será a Câmara a entidade com competência para mandar retirar dali os contentores ilegais. Ou seja, mesmo que a autarquia emita a contra-ordenação, não terá competências para colocar um ponto final nesta actividade ilegal e não licenciada.

Resta saber se o valor da multa, naturalmente estipulado por Lei, aliado a esta impotência da Autarquia de Alenquer, não determinarão o continuar desta actividade por tempos indeterminados. Os carregadense vão ficar atentos, na expectativa.

VIAAlexandre Silva
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