Juventude da Castanheira: nova direcção vai pedir a insolvência do clube

A nova direcção do Juventude da Castanheira acaba de anunciar que vai pedir a insolvência do clube. As causas são bem conhecidas do público na região: o Juventude está enterrado em dívidas que ascendem a 426 mil euros. Mas a situação que conduz ao pedido de insolvência está relacionada com uma penhora executada por uma antiga funcionária.

Em comunicado, a direcção presidida por Paulo Torrão garante: “Vimos por este meio anunciar a todos os sócios e simpatizantes do Juventude da Castanheira que a direcção reunirá extraordinariamente num dos próximos dias a fim de decidir o pedido imediato de insolvência do clube”.

Torrão assegura que o Juventude tinha, à partida, resolvido um diferendo com uma antiga funcionária da colectividade. A senhora tinha colocado um processo em tribunal ao JC. O acordo alcançado foi estabelecido “verbalmente e por sms”, segundo Paulo Torrão, e constava em pagar 44 prestações mensais no valor de 300 euros cada, com início no próximo dia 1 de Fevereiro.

Refira-se ainda sobre este assunto que o advogado desta mesma funcionária tinha desde há muito solicitado uma penhora no valor decidido pelo tribunal. “Tendo em conta o montante que conseguimos reunir no banco, essa penhora foi accionada mas não tinha sido executada até então porque o JC não tinha nem perto desse valor na conta bancária”, acrescenta o comunicado do Juventude da Castanheira.

No entanto deu-se uma reviravolta neste processo: “A ganância levou à falta de palavra e hoje, 22 de Janeiro de 2020, um pouco antes das 18 horas, recebemos a indicação formal que afinal já não haveria contrato assinado e que a penhora no valor de 15 052 euros iria mesmo ser executada”, adianta o comunicado da direcção presidida por Paulo Torrão.

Torrão acrescenta: “Pessoas e dinheiro, por mais que queiramos pensar o contrário, em muitas situações é uma combinação explosiva e leva a comportamentos onde não cabem ética, hombridade, cumprimento da palavra, entre outros valores fundamentais para esta Direcção”.

Com esta penhora, a direcção de Paulo Torrão afirma que o Juventude da Castanheira fica de novo com uma situação financeira próxima do zero, com a agravante de não poder pagar aos colaboradores, de não ter dinheiro para as despesas correntes e de não poder cumprir com os planos de pagamento entretanto acordados. Motivo mais do que suficiente para avançar para a insolvência do clube.

O pedido de insolvência terá sempre de ser levado posteriormente a uma Assembleia Geral Extraordinária. A confirmar-se esta situação, e de acordo com a direcção do JC, o efeito aplicar-se-á depois do dia 1 de Fevereiro já que, e citando o comunicado do próprio clube, “temos uma grande festa agendada que queremos concretizar”.

Paulo Torrão relembra: “Desde que tomámos posse que temos vindo a dar conhecimento público da realidade do Clube. O Relatório e Contas de 2018, apresentado e aprovado no passado dia 21 de Dezembro, apresenta uma dívida de 426 470,52 euros”. Torrão não poupa a direcção anterior, presidida por Mário Nuno Duarte: “Afirmamos pela primeira vez, de forma oficial, que a gestão dos últimos anos foi absolutamente ruinosa para o Juventude da Castanheira”.

O novo presidente do Juventude acrescenta: “Encontrámos as contas a zero e, desde aí, com patrocínios e donativos angariados, eventos realizados, com o valor recebido da Câmara, ao abrigo do PAMA, e com a negociação com a empresa de publicidade que gere o outdoor junto à autoestrada, a qual adiantou-nos 3 anos de contrato sem qualquer redução nos valores contratualizados, conseguimos as bases para uma saudável gestão do Clube”.

Paulo Torrão afirma igualmente que a sua direcção está a trabalhar noutras matérias igualmente relevantes para o clube a nível financeiro: “Já pagámos dívidas mais acessíveis, já estabelecemos planos de pagamento com a EDP, SAS, Lisboagas, Hospital de Vila Franca de Xira, AFL e com a proprietária do ginásio que, com o acordo fechado, retirou o processo que tinha contra o Juventude e, para além disso e não menos importante, temos pago tudo religiosamente a todos os colaboradores que auferem algum valor no clube, bem como todas as despesas correntes”.