Aveiras: Eduardo algemado, atirado ao chão e posto a rebolar veio a morrer no quartel da GNR

A morte de Eduardo Martins em pleno posto da GNR de Aveiras continua envolta em algum mistério. A família do "Negro" garante que irá apresentar queixa na Polícia Judiciária Militar para requerer a averiguação da conduta dos dois guardas intervenientes na detenção de Eduardo.

As causas da morte de Eduardo Martins no passado Domingo em pleno posto da GNR de Aveiras de Cima continuam envoltas em algum mistério. A família do “Negro”, alcunha pela qual era bem conhecido em Aveiras, garante que irá apresentar queixa na Polícia Judiciária Militar para requerer a averiguação da conduta dos dois guardas intervenientes na detenção de Eduardo.

Recorde-se que tudo aconteceu no passado fim de semana, mais concretamente no final da tarde de Domingo. Eduardo, de 76 anos, foi interceptado após ter cometido supostas infracções de trânsito. O homem foi levado para o posto da GNR de Aveiras de Cima onde viria a falecer nesse mesmo dia, vítima de insuficiência cardíaca. Agora a família de Eduardo quer esclarecer as circunstâncias exactas que levaram à morte do conhecido habitante de Aveiras.

Jorge Martins é filho de Eduardo e garantiu a um órgão de comunicação de âmbito nacional que, e citamos, “pelo menos um dos guardas intervenientes é novo no posto e tem sido rude para populares”. Recorde-se que no domingo à tarde Eduardo Martins conduzia a sua motorizada a 50 metros de casa e terá supostamente desrespeitado um sinal de Stop, o que terá levado à abordagem dos agentes da Guarda Nacional Republicana.

Jorge Martins, citado ainda pelo mesmo meio de comunicação, diz que uma vizinha e testemunha lhe relatou que o pai, Eduardo Martins, foi “atirado ao chão, posto a rebolar, e depois algemado e conduzido à GNR”. Já no posto Eduardo manteve-se sempre algemado.

Ainda no interior do posto da GNR de Aveiras e perante os militares presentes terá sido o próprio Eduardo Martins, a esposa (Camila Martins) e o filho (Jorge Martins) que informaram os agentes que Eduardo tinha feito dois cateterismos. “Pediram para lhe tirar as algemas, mas o pedido nunca foi aceite”, garantiu Jorge. Eduardo Martins começou a exaltar-se e acabou por sofrer um aparente ataque cardíaco, que lhe causou a morte.

Ainda de acordo com a mesma fonte, a família garante que vai avançar com queixa para a Polícia Judiciária Militar, a força de segurança com poderes para investigar crimes militares. A família pretende igualmente produzir um abaixo-assinado para o Comando-Geral da GNR, de forma a dar a conhecer a conduta dos guardas em causa.

Refira-se que a autópsia de Eduardo Martins deve ficar concluída no decorrer do dia de hoje, quarta-feira. Já o funeral do malogrado “Negro” terá lugar amanhã, quinta-feira, dia 16 de Janeiro, sendo que o corpo será sepultado no cemitério de Aveiras de Cima.

VIAAlexandre Silva
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