As mulheres e os homossexuais socialistas de Azambuja (opinião de Nuno Cláudio)

No próximo dia ou 30 ou 31 de Janeiro vai haver “eleições” em Azambuja. O Núcleo Executivo das Mulheres Socialistas vai estender o seu magistrado ao território concelhio local. A candidata à liderança deste organismo será Inês Louro, que para além de presidente da Junta de Azambuja também pertence ao Núcleo Executivo das Mulheres Socialistas do Distrito de Lisboa.

A autarca lidera uma lista da qual fazem parte Vera Brás – deputada na Assembleia da República, e Sílvia Vítor, vereadora na Câmara Municipal, para além de um conjunto de outras senhoras, naturalmente todas elas com acentuada costela socialista. É um imperativo para integrar este projecto. A vitória está garantida por se tratar de lista única. Primeira curiosidade: os homens socialistas podem votar nesta eleição?

Convém referir que o Núcleo Executivo das Mulheres Socialistas só existe a nível nacional, sendo que o partido pretende alargar a acção desta estrutura às concelhias. Para já os municípios pioneiros serão os da área de Lisboa. A eleição que vai ocorrer no fim do mês em Azambuja insere-se neste contexto.

Sendo este um mero exercício de opinião, naturalmente que me levou a meditar sobre a necessidade de haver uma estrutura exclusiva de senhoras num organismo partidário. Estamos no século XXI a bom ritmo, os resquícios de outros tempos são cada vez mais ténues e as senhoras, felizmente, têm a sua representatividade assegurada também na vida política em pé de igualdade com os homens.

Partindo do mesmo pressuposto que terá levado à criação deste Núcleo Executivo das Mulheres Socialistas, então também me parece absolutamente lógico que seja criado o Núcleo Executivo dos Homossexuais Socialistas. Se o objectivo passa por afirmar um género específico num plano de igualdade para com o género masculino, então faz todo o sentido que também os e as homossexuais tenham tal representatividade com lista exclusiva.

Como é óbvio, imagino uma estrutura desta natureza mais no âmbito do Bloco de Esquerda, numa daquelas decisões tomadas nas tais reuniões envoltas numa densa névoa resultante da queima de incenso daquele que faz rir à gargalhada. Mas quando penso nas senhoras socialistas associadas em núcleo executivo também me vêm à memória os comboios a vapor, as charretes puxadas por cavalos e os candeeiros a petróleo…

Já estou como o “Jaquim”, conhecido socialista de topo da nossa praça, que um dia me disse com o seu imbatível humor refinado: para quê uma sede para a associação dos deficientes da guerra do ultramar se em breve morrerão todos e entretanto já não há mais guerra que produza novos deficientes? Era desperdiçar recursos para nada. É tal como estes “núcleos” e movimentos: recursos desperdiçados que acentuam um cenário de separação quando se busca o pleno da igualdade.


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