Azambuja: Páteo Valverde foi palco da apresentação do novo livro de Américo Brás Carlos

O Município de Azambuja apresentou no passado sábado o livro “A Greve Camponesa de 8 de maio de 1944 em Azambuja e Baixo Ribatejo – História e Geografia Humana”, da autoria de Américo Brás Carlos.

O Município de Azambuja realizou uma sessão de apresentação do livro “A Greve Camponesa de 8 de maio de 1944 em Azambuja e Baixo Ribatejo – História e Geografia Humana”, da autoria de Américo Brás Carlos. O evento teve lugar na tarde do passado sábado, dia 02 de novembro de 2019, e encheu o Auditório Municipal do Centro Cultural Páteo do Valverde, em Azambuja.

O município esteve representado pelo Vereador da Cultura, António José de Matos, e a apresentação da obra esteve a cargo do conhecido professor catedrático de História e investigador, Fernando Rosas, que assina igualmente o prefácio.

No primeiro momento da sessão, a autarquia e o autor agraciaram, com a oferta de um exemplar do livro, duas dezenas de pessoas que colaboraram neste processo. Algumas ajudaram o autor, nomeadamente na pesquisa documental; outras – entre as quais, filhos dos protagonistas da obra, à semelhança de Américo Brás Carlos – deram o seu testemunho oral do que ouviram contar a muitos dos que viveram aqueles dias.

Seguiram-se as intervenções em que os três oradores sublinharam a relevância histórica mas também política dos acontecimentos relatados no livro, enaltecendo a coragem de sete homens que, apesar de ainda jovens, afrontaram o regime ditatorial da época. Um relato da coragem de quem lutou, fazendo greve pacificamente, como protesto pelas duríssimas condições de trabalho, baixa remuneração e sobretudo pelo racionamento alimentar que agudizava as dificuldades das classes trabalhadoras da sociedade portuguesa, no contexto da Segunda Guerra Mundial. Uma coragem que foi posta à prova com largos meses de prisão e torturas, típicas da ditadura repressiva de então.

A obra retrata factos históricos ocorridos neste concelho, de onde é natural o autor. Américo Brás Carlos debruçou-se sobre uma luta laboral travada há 75 anos e que nunca tinha sido devidamente estudada e documentada. O livro remete o leitor para a terrível década de 40 do século XX, em que a vida dos trabalhadores portugueses, particularmente nos campos agrícolas de Azambuja, era marcada por uma dureza e injustiça hoje inimagináveis.

O autor relata: “Ao desemprego sazonal do outono à primavera e aos salários abaixo das condições de subsistência impostos pelo Governo juntava-se a subnutrição crónica e as longuíssimas jornadas de trabalho, de sol a sol, que a partir de abril e maio iam das seis horas da manhã às nove da noite, a que acresciam as necessárias horas para ir e vir a pé dos locais de trabalho, quase sempre muito distantes.”

“Trata-se inequivocamente de um importante trabalho literário, mas também de um singular contributo para a compreensão de um episódio marcante no passado recente do Concelho de Azambuja”, acrescenta António José Matos, vereador da Cultura do município azambujense. “Não só uma aula de História sobre uma realidade do nosso século XX, e que perdurará para conhecimento das gerações futuras, mas sobretudo uma reconstituição que faz justiça à memória dos que, então, lutaram pela sua dignidade e por um futuro melhor”, acrescenta o autarca.