Última hora: Câmara de Alenquer a abarrotar de povo descontente com a concessão das águas

Os munícipes acorreram ao apelo do Alenquer Água Justa e vieram massivamente à reunião da Assembleia Municipal que está a decorrer no edifício dos Paços do Concelho. A maior parte ficou no átrio do edifico por não haver condições para receber tanta gente. A revolta faz-se ouvir na sala de reuniões do órgão deliberativo. Já se fala na realização de uma nova assembleia exclusiva para debater o tema.

Povo de Alenquer à porta da Assembleia Municipal sem poder entrar por não haver espaço e condições. Há mais de uma década que não vinha tanta gente a uma sessão deste órgão deliberativo

Assembleia Municipal de Alenquer a decorrer desde as 20 horas. A galeria destinada ao público esgotou rapidamente os 30 lugares a que o espaço está limitado, mas no átrio de entrada do edifício da autarquia estão a esta hora largas dezenas de munícipes que foram mobilizados pelo movimento Alenquer Água Justa. Todos juntos reclamam por um serviço de maior qualidade e por um valor de factura mais justo.

O movimento criado por Alfredo Trinca mobilizou os alenquerenses descontentes através das redes sociais, concretamente por via da página que o Alenquer Água Justa criou no Facebook. Aquando da caminhada de 29 de Junho ficou decidido que a presença massiva nesta sessão da Assembleia Municipal iria ser uma realidade. E o povo não fugiu ao compromisso e correspondeu à chamada, ainda que os elementos da organização estimassem uma presença de munícipes em maior número.

A verdade é que a confusão está instalada à entrada da sala de reuniões da Assembleia Municipal, devido às inexistentes condições do edifício para receber uma tão elevada quantidade de povo. Tal como já foi dito, a galeria destinada a este efeito esgotou rapidamente as três dezenas de lugares que tem disponíveis. Existem cadeiras vazias, mas a estrutura não permite mais presenças por uma questão de segurança.

Dentro do edifício da câmara várias dezenas de munícipes reclamam agastados contra a impossibilidade de assistirem à reunião do órgão fiscalizador da política municipal. Carlos Ferreira e António Matos tentaram há minutos acalmar a população, prometendo-lhes que irão solicitar uma reunião da assembleia exclusivamente destinada a debater o assunto da concessão da água. E vão sugerir o auditório Damião de Góis para palco da sessão.

Ainda assim, os munícipes ficaram revoltados e estão a reclamar alto e bom som à porta do salão onde neste momento se realiza a reunião da Assembleia Municipal. Alguns já se queixam de terem vindo perder o seu tempo, e outros reclamam contra aqueles que, e citamos, “só têm garganta é no facebook, mas depois quando é necessário vir aqui reclamar de viva voz ficam em casa”.

Ainda assim, a afluência foi significativa. De acordo com alguns deputados com assento no órgão deliberativo alenquerense, há mais de uma dezena de anos que não acorriam tantos munícipes a uma reunião desta natureza. A verdade é que o edifício dos Paços do Concelho, com toda a sua imensa e inesgotável beleza arquitectónica e enquadramento histórico, não tem condições para que o povo assista a estas reuniões periódicas. Os munícipes não vêem a maioria dos eleitos e estes também não têm o povo no seu alcance visual.


Veja de seguida relacionado com o assunto: as entrevistas com Pedro Folgado, presidente da autarquia de Alenquer, durante a qual debate também este assunto; e ainda com os responsáveis pelo movimento Alenquer Água Justa: Alfredo Trinca, António Matos e Carlos Ferreira.

VIANuno Cláudio
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