Utentes de Carregado e Alenquer pagam o dobro para andar em transportes públicos

Os utilizadores de transportes públicos de Alenquer exigem um passe social único que sirva simultaneamente a região Oeste e a Área Metropolitana de Lisboa. Actualmente pagam 80 euros para chegar a Lisboa. Quem vive em Vila Franca, Alcácer do Sal ou Odemira paga somente... 40 euros.

Os utilizadores de transportes públicos do concelho de Alenquer exigem um passe social único que sirva simultaneamente a região Oeste e a Área Metropolitana de Lisboa. Para conseguirem este objectivo já admitem recorrer a várias formas de luta se a Comunidade Intermunicipal do Oeste e a Área Metropolitana de Lisboa não chegarem a um acordo para baixar os preços dos passes sociais que servem as duas regiões.

De acordo com o Jornal Público, os protestos podem avançar já em Outubro e, segundo uma porta-voz dos utentes, podem passar pela recusa do pagamento do diferencial cobrado aos utentes do concelho de Alenquer por comparação com o que pagam os residentes do município de Vila Franca de Xira. Pedro Folgado reconhece que há algum impasse neste contexto mas, e de acordo com a mesma fonte, promete insistir com os responsáveis da AML. Recorde-se que o autarca de Alenquer é também presidente da Comunidade de Municípios do Oeste.

A inexistência de um passe único inter-regional que sirva a região Oeste e a Área Metropolitana de Lisboa leva a que os utentes residentes nos concelhos do Oeste que viajam regularmente para a capital adquiram um passe metropolitano que custa 40 euros mas ao mesmo tempo sejam obrigados a comprar um passe para circularem no Oeste, que custa outros 40 euros.

Esta situação acaba por ser demasiado injusta sobretudo para os habitantes de Carregado e Alenquer. A título de exemplo, quem vive no Carregado está a cerca de um quilómetro do concelho de Vila Franca de Xira e da AML e é obrigado a pagar o dobro dos habitantes de Vila Franca. Por comparação, quem vive em Alcácer do Sal, Santiago do Cacém ou mesmo em Odemira paga somente 40 euros. Já lá vamos.

Para já, adiantar que Pedro Folgado referiu na passada reunião de câmara não ter desenvolvimentos para anunciar nesta matéria. O autarca respondia a Maria José Reis, uma utente que se tem movimentado com o intuito de “mexer” com esta situação que considera de desigualdade. Esta senhora refere: “Por uma questão de princípio, não consigo aceitar as injustiças geradas por este novo mecanismo de fixação de preços de passes sociais apoiados”.

Maria José Reis foi pela segunda vez no espaço temporal de dois meses a uma reunião do executivo camarário de Alenquer, e por esta ocasião voltou a não sair satisfeita. “Lamentavelmente não tenho muitas novidades. Há uma intenção da Área Metropolitana de Lisboa de subsidiar estas ligações entre regiões mas ainda não está finalizado este processo”, terá ouvido de Pedro Folgado.

Ainda a propósito da comparação que efectuámos com alguns municípios alentejanos: existe um acordo entre a Área Metropolitana de Lisboa e a Comunidade de Municípios do Litoral Alentejano que permite aos utentes daquela região terem acesso a um passe mensal de 40 euros que lhes permite viajar para Lisboa. Ou seja, quem resida em Alcácer do Sal, Santiago do Cacém, Odemira ou mesmo no Cercal do Alentejo consegue viajar para Lisboa por 40 euros mensais. Já quem habita a 30 quilómetros de Lisboa é obrigado a pagar dois passes no valor de 80 euros.


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VIAAlexandre Silva
FONTEJornal Público
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