Aveiras: marcha lenta alerta para estrada da morte que também vitimou Ricardo Cláudio e Filipe Teles

Utentes do IC2 realizaram esta manhã uma marcha lenta de protesto entre a Benedita e Aveiras de Cima. O estado de degradação desta via tem provocado acidentes de enorme gravidade, como aquele que vitimou os jovens Ricardo Cláudio e Filipe Teles. A estrada já foi baptizada pela "estrada da vergonha".

Ricardo Cláudio e Filipe Teles foram mais duas vítimas da estrada da vergonha. Desde há anos esquecidos que o Estado Português têm milhões para injectar em bancos e tapar buracos causados por esquemas de corrupção. Mas para arranjar uma estrada e evitar mortes, o dinheiro não aparece...

Moradores e empresários que dependem do IC2 para as suas deslocações realizaram esta manhã uma marcha lenta de protesto entre a Benedita e Aveiras de Cima. Desde há anos que o estado de degradação desta estrada nacional tem provocado acidentes de enorme gravidade, como aquele que vitimou os jovens de Aveiras de Cima Ricardo Cláudio e Filipe Teles em Novembro de 2003. Os utentes desta via já a baptizaram pela “estrada da vergonha”.

“Estamos desde há muitos anos a pedir às Infraestruturas de Portugal que faça obras de requalificação nesta estrada, mas as respostas que temos tido são “nins”, refere um dos organizadores da marcha de protesto, que acrescenta: “Este é um piso em betão e eles querem tapar os buracos com alcatrão, o que é inconcebível; não entendo como é que pessoas formadas em engenharia conseguem pensar em tapar buracos no betão com alcatrão”.

A mesma fonte diz ainda: “Ao ver as notícias todos os dias com milhões injectados na banca e mais milhões desviados em esquemas de corrupção… e nós só queremos migalhas desses milhões para salvar vidas, porque o problema deste IC2 são as várias curvas conhecidas por curvas da morte e também as várias rectas da morte que vamos tendo nesta estrada no troço entre a Benedita e Aveiras”.

Esta iniciativa visa alertar (mais uma vez…) as autoridades competentes para o estado vergonhoso desta estrada, uma das principais do país. “Há 30 anos que esta estrada está neste estado; tapam buracos, fazem remendos, mas pouco depois os buracos voltam a aparecer ainda em pior estado”, acrescenta outra utente que também participou na marcha lenta desta sexta-feira.

Cansados de esperar, moradores e empresários promoveram esta marcha lenta entre Benedita e Aveiras de Cima. “É molas partidas, é pneus rebentados e isso prejudica o normal andamento do próprio trânsito, já para não falar do perigo que é mudar um pneu de um camião ou de um carro numa estrada destas”, afirma um condutor de um pesado que já utiliza aquela estrada há décadas.

Já outro empresário da Benedita queixa-se da falta de alternativas para quem se desloca para Lisboa. “A única hipótese é irmos pelas Caldas da Rainha, mas nesse caso estamos é a andar para trás”. Esta marcha lenta acabou por dar origem a uma fila de 15 quilómetros e alguns condutores acabaram por ser involuntariamente retidos nesta acção de protesto, que partiu em dois grupos distintos que acabaram por se cruzar a meio do percurso.

VIAAlexandre Silva
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