Bombeiros de Alenquer: telemóveis de 700 euros e contas recusadas pelo Conselho Fiscal

As contas de 2018 dos Bombeiros de Alenquer foram recusadas pelo Conselho Fiscal, que as considera insuficientes e pouco esclarecedoras. O relatório apresentado pela Direcção em Assembleia Geral não convenceu o órgão fiscalizador presidido por António José Pires.

O relatório de contas de 2018 alusivo à actividade dos Bombeiros Voluntários de Alenquer foi recusado pelo Conselho Fiscal desta corporação, que considera as mesmas contas insuficientes e pouco esclarecedoras. A Assembleia Geral decorreu na passada sexta-feira, dia 28 de Junho, mas o relatório apresentado pela Direcção não convenceu o órgão fiscalizador presidido por António José Pires.

Para já o Conselho Directivo terá de refazer o dito relatório, já que existem “comboios de diferenças” entre o conceito de satisfatório do Conselho Fiscal e o documento apresentado. A nossa fonte utilizou precisamente a expressão “comboios de diferenças” como forma de relatar as distâncias que neste momento separam a Direcção e o Conselho Fiscal no que às contas diz respeito.

De acordo com o que o Fundamental apurou, em causa estarão valores resultantes de peditórios, receitas de bar ou protocolos estabelecidos que não virão descriminados ou pormenorizados no relatório de contas apresentado pela Direcção presidida por Emílio Cardoso. Por outro lado também existirão despesas que não estarão pormenorizadas no dito relatório, referindo-se o mesmo a essas despesas de forma vaga ou abstracta.

Ainda de acordo com a nossa fonte, que há largos anos integra os corpos sociais dos Bombeiros Voluntários de Alenquer, foram comprados dois telemóveis de valor unitário de cerca de 700 euros. “A contabilidade é de tal forma primária e superficial que ninguém entende nada do que foi apresentado”, acrescenta a nossa fonte, com larga experiência no sector associativo. As contas apresentadas são alusivas ao período entre 25 de Junho e 31 de Dezembro de 2018, mas as imprecisões também se referem à contabilidade que tem sido efectuada nos primeiros seis meses do presente ano.

Refira-se que o actual mandato teve inicio a 25 de Junho de 2018. Emílio Cardoso continua a ser o presidente da Direcção dos Voluntários de Alenquer, direcção que agora é denominada de Conselho Directivo. António José Pires é o presidente do Conselho Fiscal, elemento com larguíssima experiência neste contexto já que foi durante muitos anos funcionário da Fazenda Pública.

O Fundamental contactou Emílio Cardoso. O presidente do Conselho Directivo esclareceu que as contas não foram apreciadas pelo Conselho Fiscal devido ao facto deste órgão não ter tido tempo de analisar as mesmas. Já António José Pires, o presidente do Conselho Fiscal, também contactado pelo Fundamental, assegurou que as contas não foram apreciadas porque o Conselho considerou insuficientes as informações recebidas.

Certo é que o Fundamental sabe que o Conselho Fiscal chegou a sugerir uma auditoria externa, proposta que só não ganhou força porque a mesma, a ser realidade, poderia significar um entrave ao normal funcionamento da corporação, com as devidas consequências para os funcionários dos Bombeiros Voluntários de Alenquer, para além de que poderiam estar em causa a prossecução de protocolos ou o concretizar de subsídios.

Ainda assim, o Conselho Directivo terá de reunir com o objectivo de refazer as contas de forma a que as mesmas tenham alguma possibilidade de serem aceites para análise e votação pelo Conselho Fiscal, que se mantém intransigente quanto ao rigor exigido. Recorde-se que a actual direcção cumpre o seu mandato sem que haja um Plano de Actividades aprovado, ou sequer apresentado à Assembleia Geral dos BVA, presidida por Francisco Cipriano.

VIAAlexandre Silva
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