Águas de Alenquer exigem mais dinheiro à Câmara ou aumentar a factura do serviço

Alenquer continua entre os municípios com água mais cara do país, e a empresa Águas de Alenquer obteve em 2017 um lucro de 1 milhão e cento e cinquenta mil euros, mais cento e cinquenta mil do que em 2016. Mesmo assim a empresa quer mais dinheiro da Câmara. Ou então aumentar a factura aos alenquerenses.

Tal como o Fundamental noticiou na altura, em Fevereiro de 2016 a Águas de Alenquer solicitou a reposição do equilíbrio financeiro e a operação deveria ficar concluída em 90 dias. Mais de 3 anos depois a negociação continua e não é conhecido o valor em  causa. A Coligação Juntos Pelo Concelho também se debruçou recentemente sobre este assunto que tanto afecta os alenquerenses.

As razões pelas quais a Águas de Alenquer pretende a reposição do equilíbrio económico-financeiro da concessão explicam-se facilmente: a concessionária lamenta estar há seis anos consecutivos com volumes de vendas mais de 20 por cento abaixo do contratado, investimentos extraordinários que não estavam previstos e que tiveram de ser efectuados devidos ao calcário, e ainda uma dívida antiga relacionada com uma ETAR e a integração na exploração das redes de novos loteamentos.

Estes factos levam a empresa concessionária a pedir mais dinheiro à Câmara de Alenquer ou, em alternativa, a pretender aumentar as tarifas que os habitantes do concelho já pagam. O chamado “equilíbrio financeiro” mais não é do que o mecanismo do contrato que permite à concessionária reclamar compensações por custos e perdas imprevistos. Tal como refere Frederico Rogeiro, vereador eleito pela CJPC, “na prática o equilíbrio financeiro consiste numa compensação financeira por parte da Câmara de Alenquer ou no aumento do tarifário. Ou nas duas coisas”.

Ainda de acordo com este eleito, “no relatório da comissão de acompanhamento do contrato referente a 2017 a dívida relativa à ETAR estimava-se em cerca de 500 mil euros, dos quais boa parte eram juros. As restantes alegações da empresa não estavam quantificadas, pelo que apenas os negociadores do processo conhecerão os seus montantes”. Refira-se que Alenquer continua entre os municípios com água mais cara do país, e a empresa Águas de Alenquer obteve em 2017 um lucro de 1 milhão e cento e cinquenta mil euros, mais cento e cinquenta mil do que em 2016.

Ainda de acordo com Frederico Rogeiro, “foi entretanto noticiado um segundo pedido de reposição de 2018 que teria o mesmo prazo, mas sobre esse pedido a Coligação não tem detalhes, pois o relatório relativo ao ano passado, que devia ser entregue em Março, continua por chegar”. Rogeiro garante que a Coligação quis saber quanto deve a câmara à empresa Águas de Alenquer, mas o presidente Pedro Folgado recusou responder a mais esta pergunta.

O vereador da CJPC esclarece ainda neste contexto: “Pode compreender-se a reserva em partilhar um montante concreto, em face destas variáveis, mas não se compreende que um processo que devia durar 90 dias continue por resolver há mais de três anos, questão para a qual também não houve respostas esclarecedoras. Assim, tudo continua na sombra e desconhece-se que impacto vai chegar às contas municipais e ao bolso dos consumidores”.

Frederico Rogeiro levanta ainda outra questão: “esta situação não acabará por inibir a câmara de exercer os seus poderes de fiscalização, que incluem o poder de multar a empresa pelos seus incumprimentos? Se for o caso, o prejuízo recai sobre os clientes do serviço”. Ou seja, os mesmos de sempre a pagar a factura no meio de tantas dúvidas e incertezas.
 

VIAAlexandre Silva
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