Alenquer: Cartaxinhos fecha portas e deixa 200 crianças sem colégio

Os Cartaxinhos vão fechar e cerca de duzentas crianças vão ficar sem solução imediata. Professoras e auxiliares de educação também vêem a vida a andar para trás. Os Cartaxinhos foram vendidos ao Grupo GPS e os pais, apanhados de surpresa, manifestaram-se esta quinta-feira em grande número nas instalações do colégio.

Esta fachada tem os dias contados: o colégio "Os Cartaxinhos" vai encerrar e dar lugar a um centro de formação profissional. Cerca de 200 crianças vão ficar sem colégio...

É o fim da linha para o colégio Os Cartaxinhos. A instituição de Alenquer vai fechar e cerca de duzentas crianças vão ficar sem solução imediata. Professoras e auxiliares de educação também vêem a vida a andar para trás. Os Cartaxinhos foram vendidos ao Grupo GPS – Educação e Formação, com sede em Pombal. Os pais foram apanhados de surpresa e manifestaram-se esta quinta-feira em grande número nas instalações do colégio.

Termina desta forma um percurso de duas décadas iniciado pelo empresário Mário Cartaxo nos anos 90 do século passado. Os encarregados de educação das quase duas centenas de crianças começaram a ouvir rumores de uma possível venda dos Cartaxinhos nos primeiros meses deste ano. A directora pedagógica da instituição reconheceu que havia interesse na aquisição do colégio, mas negou sempre que o negócio estivesse concretizado. E afirmava dar prioridade a um investidor que mantivesse o colégio em funcionamento.

Com receio do fim de actividade dos Cartaxinhos, os encarregados de educação mexeram-se e um investidor alternativo apareceu. Tratava-se de uma entidade estrangeira, com sede no Dubay, que terá oferecido 1 milhão de euros a Cristina Manso Pires, a directora do colégio. Segundo o Fundamental apurou, esta era a quantia exigida pela sociedade detentora do colégio para a cedência do mesmo. Mas o investidor acabou por esbarrar em vários obstáculos. Deixaram de lhe atender o telefone ou de responder às suas solicitações. Acabou por desistir da intenção de aquisição do colégio dos Casais Novos.

De acordo com os encarregados de educação que o Fundamental ouviu na tarde desta quinta-feira, dia 13 de Junho, o negócio com o Grupo GPS já deveria estar concretizado desde há mais tempo, possivelmente muito antes até do aparecimento do investidor do Dubay. Cristina Manso Pires terá optado por esconder dos pais das quase 200 crianças que a venda ao Grupo GPS seria o destino dos Cartaxinhos. Os pais foram apanhados de surpresa e agora não sabem onde colocar os filhos no novo ano lectivo.

A reunião desta tarde de quinta-feira juntou à mesa a directora dos Cartaxinhos, cerca de três dezenas de pais dispostos a invadir o gabinete da directora caso não fossem recebidos e ainda um representante da GPS. Este último garantiu que docentes e funcionários terão a opção de serem colocados no futuro centro de formação que funcionará no actual espaço dos Cartaxinhos. Ou então em outros colégios do mesmo grupo.

A GPS também assume todos os activos e passivos dos Cartaxinhos, o que significa que fornecedores e encarregados de educação com créditos no contexto deste cenário terão, à partida, o seu dinheiro garantido. Refira-se que muitos foram os pais que já liquidaram a inscrição dos seus filhos para o novo ano lectivo. A GPS garante que lhes devolverá o dinheiro.

Quanto às crianças que frequentavam os Cartaxinhos, poderão optar por outros colégios do Grupo GPS. A inscrição terá 10 por cento de desconto. O problema está na localização desses colégios alternativos. Para as crianças que vivem em Alenquer ou na região a maior parte das alternativas ficam positivamente fora de alcance. O que significa que serão largas de dezenas as famílias que neste momento têm um problema real em mãos: em que colégio colocar os seus filhos a curto prazo.

Mas a reunião ocorrida na tarde desta quinta-feira não terminou sem que os encarregados de educação questionassem Cristina Manso Pires sobre o porquê da directora pedagógica dos Cartaxinhos não ter avisado mais cedo as famílias das crianças sobre a intenção de venda do colégio. A directora respondeu que não havia qualquer negócio decidido com a GPS. Os encarregados de educação confrontaram então Cristina Pires com a vontade do investidor do Dubay em avançar com o negócio. A senhora não gostou, ou não teve resposta, e acabou por abandonar a reunião.

 

VIAAlexandre Silva
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