Azambuja: município de luto pela morte de Sebastião Mateus Arenque aos 96 anos

Azambuja está de luto pelo falecimento de Sebastião Mateus Arenque. “Mestre Sebastião”, como era carinhosamente reconhecido e tratado, nasceu a 7 de Janeiro de 1923, em Azambuja, e despede-se do nosso convívio com a bonita idade de 96 anos.

Azambuja está de luto pelo falecimento de Sebastião Mateus Arenque. O óbito foi conhecido a meio da tarde de sábado, dia 1 de Junho de 2019. “Mestre Sebastião”, como era carinhosamente reconhecido e tratado, nasceu a 7 de Janeiro de 1923, em Azambuja, e despede-se do nosso convívio com a bonita idade de 96 anos.

O facto foi merecedor de uma nota de pesar por parte de Luís de Sousa, presidente da autarquia de Azambuja. “O Concelho de Azambuja e o Ribatejo acabam de perder uma grande figura do seu património humano e cultural. Mestre Sebastião definia-se a si próprio como um homem simples, para quem tudo nasceu de rapaz pequeno, na vida do campo; Tudo começou na terra pisada, na terra lavrada, na terra semeada; enfim, tudo começou na terra!”.

A vida, que não foi fácil, só lhe permitiu concluir a 4ª classe de escolaridade aos 27 anos. Apesar disso, a sua enorme força de vontade e paixão pela etnografia lançou-o na escrita dos “Subsídios para o Cancioneiro Popular de Azambuja”, em 1980. A partir daí foram mais de uma dezena e meia de trabalhos publicados, registando muitas memórias do passado e divulgando hábitos e tradições da identidade do povo ribatejano.

Na verdade, já antes da produção literária Sebastião Mateus Arenque tinha começado toda uma vida dedicada à cultura em geral e ao folclore em particular. Destacam-se os muitos anos dedicados ao Rancho Folclórico “Ceifeiras e Campinos” de Azambuja. Depois, a curiosidade levou-o a estudar os costumes e a evolução da comunidade dos “casais” em redor da Vila de Azambuja.

Do fascínio por esse trabalho resultou, pela mão de “Mestre” Sebastião, a fundação do Grupo Tradicional “Os Casaleiros” de Casais dos Britos. O seu empenhamento e a qualidade do seu trabalho ultrapassaram, inclusive, as fronteiras do concelho e tornaram o seu nome como um dos mais respeitados pelas entidades ligadas ao folclore.

A grande jovialidade e dinamismo que continuava a revelar levaram a Associação Portuguesa de Psicogerontologia a considerar Sebastião Mateus Arenque, em 2012, um exemplo nacional de envelhecimento activo. Luís de Sousa reforça: “É, por tudo o que tem feito e escrito, um grande nome não só de Azambuja mas da Cultura Ribatejana”.

A invejável idade de Sebastião Arenque e a sua dedicação à etnografia ao longo de várias décadas granjeou-lhe entre a população o título de “mestre”. Refira-se que a autarquia sempre se associou a esse reconhecimento e atribuiu o seu nome ao Museu Municipal, inaugurado em Outubro de 2004, no Centro Cultural Páteo do Valverde.

Sebastião Mateus Arenque foi ainda agraciado com a mais alta distinção atribuída pela Autarquia – a Medalha de Honra do Município, que recebeu numa cerimónia realizada a 29 de Maio do ano 2003.

Luís de Sousa acrescenta: “A Câmara Municipal de Azambuja expressa o seu profundo pesar e as sentidas condolências à família, prestando a merecida e justa homenagem à figura do Senhor Sebastião Mateus Arenque. Simbolicamente, assistimos à sua partida nestes dias em que celebramos o bi-centenário das raízes da nossa Feira de Maio”.

 

VIAAlexandre Silva
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