Águas de Alenquer recorrem a empresa de cobranças que ameaça alenquerenses

A Águas de Alenquer recorre à Intrum para tentar receber os seus créditos mal parados. Esta empresa de cobranças foi melhor revelada por uma reportagem da TVI. Alfredo Trinca reforça o pedido de mobilização para 29 de Junho: "Temos que mostrar que as pessoas deste concelho importam".

A empresa Águas de Alenquer continua na mira de um movimento de cidadãos liderado pelo alenquerense Alfredo Trinca. Recorde-se que este munícipe está a organizar uma caminhada de protesto que visa alertar a comunidade para aquilo a que classifica como um muito mau serviço prestado pela concessionária do fornecimento de água ao domicílio.

Nas últimas horas Alfredo Trinca voltou a referir-se ao assunto Águas de Alenquer, a propósito de um programa de informação do canal TVI que acabou por elucidar os portugueses acerca do modo de actuar de uma empresa que adquire créditos malparados à banca nacional e também presta serviços de cobranças a outras entidades. A empresa intitula-se Intrum e anteriormente ostentava o nome de Intrum Justicia.

A Intrum também trabalha com a Águas de Alenquer, sendo a cobradora que acaba por bater à porta dos alenquerenses quando se trata de facturas mais antigas que ficaram por liquidar à concessionária. A empresa Águas de Alenquer recorre a esta Intrum para procurar cobrar aqueles que considera ser os créditos malparados dos alenquerenses. Segundo foi revelado no programa televisivo da TVI, esta empresa tem adquirido créditos por valores na ordem dos 10 a 15 por cento do total em dívida.

Aqui fica um exemplo para que o leitor compreenda melhor a situação, caso a Intrum adquirisse as dividas dos alenquerenses no contexto da água: se um munícipe devesse 500 euros à Águas de Alenquer, a concessionária cederia a sua dívida à Intrum por valores entre os 50 e os 75 euros. A Águas de Alenquer ficaria com o problema resolvido, e receberia apenas um máximo de 15 por cento do total que reclamava, o que poderia provar que as margens de lucro da concessionária alenquerense são… brutais.

Coloca-se a questão: será que por valores muito inferiores em relação ao total em falta não estariam também os munícipes de Alenquer interessados em resolver as suas “dívidas”? Note-se que muitas destas facturas de valores exagerados que ficam por liquidar por manifesta incapacidade financeira dos moradores deste concelho acabam por resultar de situações muito difíceis de explicar. Damos outro exemplo:

Um habitante do Carregado que mora num andar situado na Urbanização da Barrada paga normalmente valores médios na ordem dos 30 a 40 euros mensais, o que já acontecia há largos anos. De súbito, e sem que houvesse qualquer alteração significativa no consumo ou sequer um cenário de ruptura de canos ou qualquer outra anomalia similar, o total da factura “salta” para um valor próximo dos 400 euros… e logo a seguir mais uma factura de igual valor, esta definida pela “média” da contagem anterior…

Nestes casos, que são muito comuns em Alenquer, a concessionária só tem um modo de actuação: o munícipe tem de pagar incondicionalmente. Depois reclama, e poderá eventualmente vir a ter razão, sendo que nesse caso o valor pago abusivamente ser-lhe-á descontado nas facturas posteriores. O pior é quando o munícipe não tem dinheiro para suportar este género de abusos. Na prática, trata-se de financiar a Águas de Alenquer, adiantando-lhes dinheiro (sem juros) que não tem qualquer suporte num serviço prestado.

Depois vem a Intrum: esta empresa multinacional “persegue” o alenquerense com o objectivo de receber a verba em atraso. Alfredo Trinca questiona: “Acerca da Águas de Alenquer: sabem o que é a Intrum? Esta firma foi eleita parceira de cobrança pela Águas de Alenquer, o que me faz lembrar aquele ditado “diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és“.

Por essa razão, Alfredo Trinca reforça o seu pedido de mobilização para dia 29 de Junho, às 9 horas: “Vem mostrar que tu e a tua família importam, têm opinião e contam como pessoas. Dia 29 Junho às 9 horas vem mudar o “estado da Água” em Alenquer“, apela este munícipe empreendedor, que acrescenta: “A factura é cara, o serviço é mau e prepotente, segundo a Deco gera entre 1 milhão de euros a 1 milhão e 400 mil euros de lucro/ano para privados por um bem que nasce da terra, da nossa terra“.

 

VIAAlexandre Silva
COMPARTILHAR