Torres Vedras debate hidrogénio como combustível do futuro

O hidrogénio enquanto vector energético como opção estratégica de futuro foi o tema das jornadas que decorreram em Torres Vedras nos dias 21 e 22 de Fevereiro.

O hidrogénio enquanto vector energético como opção estratégica de futuro, na gestão da energia e na descarbonização dos territórios, foi o tema das jornadas que decorreram em Torres Vedras nos dias 21 e 22 de Fevereiro.

A iniciativa decorreu no Edifício dos Paços do Concelho de Torres Vedras, onde estiveram presentes cerca de 100 participantes, entre especialistas, stakeholders, académicos e autarcas. Todos integraram esta iniciativa de que constaram um workshop, painéis de comunicações e a entrega de um prémio.

Na sessão de abertura destas jornadas, o presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos Bernardes, realçou a importância da criação de um novo paradigma energética para que Portugal e a União Europeia atinjam os objectivos da neutralidade energética. “É um percurso que não é fácil, mas com parcerias poder-se-á atingir o objectivo de introduzir o hidrogénio no mix dos combustíveis” afirmou na ocasião Carlos Bernardes. O autarca revelou que aquele era “um dia feliz” porque Portugal estava a produzir os primeiros autocarros movidos a hidrogénio, fazendo também votos para que os operadores locais possam adquirir algumas dessas viaturas.

Já José Campos Rodrigues, presidente da AP2h2 (Associação Portuguesa para a Promoção do Hidrogénio), realçou o facto da Câmara Municipal sempre ter acreditado que o hidrogénio podia ser “um factor distintivo”, justificando desta forma o facto de grande parte das iniciativas da associação que lidera tiveram lugar ao longo dos anos em Torres Vedras.

Campos Rodrigues frisou que estas jornadas estavam a decorrer num momento-chave para o hidrogénio tendo em conta que estão a ser discutidos documentos fulcrais em Portugal com vista a que o país contribua para o objectivo de até 2050 a temperatura média mundial não subir mais de 2 graus, o que implica a descarbonização. Acrescentou ainda que o hidrogénio está a “assumir-se a nível mundial” e constitui-se como a solução economicamente mais eficiente para se atingir os objectivos do Tratado de Paris, sendo os municípios “players de primeira ordem” na introdução do hidrogénio como combustível.

A aposta na Neutralidade Carbónica em 2050” foi o tema da comunicação de Pedro Filipe (adjunto do secretário de estado do Ambiente e da Energia) que na mesma reiterou que “a descarbonização dos transportes é um desígnio deste governo”, recordando que este tem estado a apoiar projectos na área em debate nestas jornadas como os autocarros movidos a hidrogénio.

Também na sessão de abertura, Júlia Seixas (da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade Nova de Lisboa), defendeu que a neutralidade carbónica é possível em Portugal até 2050, mas que para tal não se tem de fazer uma “transição energética” mas sim uma “transformação energética rápida” nos próximos 10 a 15 anos, salientando que a neutralidade carbónica passa em Portugal pelos combustíveis mas também pela floresta.

Ainda no âmbito da abordagem ao Road Map do Hidrogénio realizou-se o painel dos stakeholders em que participaram João Marques (da Galp), Manuel Carvalho (da Linde) e João Matos (da Caetano Bus). Os trabalhos acabaram nesse dia com a atribuição do Prémio Científico Toste de Azevedo 2018 a Joana Ortigueira que apresentou uma comunicação intitulada “Desperdício Alimentar para Hidrogénio: Biorefinarias ao serviço da Inovação Ambiental”.

O segundo dia de trabalhos foi mais direccionado para a realidade autárquica, tendo no painel “Hydrogen Regions” sido apresentadas comunicações intituladas: “Hidrogénio nos planos intermunicipais para combate às alterações climáticas: desafios e oportunidades” (por Heitor Gomes, do Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional e Urbano), “Hydrogen regions, a HyER perspetive” (por Valentine Willmann, da Hyer) e “Hydrogen Regions: A experiência nacional de Torres Vedras e do Médio Tejo” (por Hugo Lucas, vereador da Câmara Municipal de Torres Vedras e Paulo Brito da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo).

Seguiu-se um painel de autarcas em que participaram Hugo Lucas, Paulo Simões (1.º secretário da OesteCim) e Barney Crockett (Aberdeen City Councillor). À tarde os trabalhos abriram com um painel sobre “Mecanismos de financiamento” em que intervieram Bruno Veloso (do Fundo de Apoio à Inovação), António Bob Santos (da Agência Nacional de Inovação) e Pedro Guedes de Campos (da Fuel Cell & Hydrogen Joint Undertaking).

O encerramento das Jornadas contou com intervenções de José Campos Rodrigues e de Hugo Lucas, que resumiram as temáticas abordadas no evento e as suas principais conclusões. De referir que estas Jornadas do Hidrogénio foram organizadas pela AP2H2 e pela Câmara Municipal de Torres Vedras e contaram com o patrocínio da Barraqueiro Transportes, PRF – Gás Tecnologia e Construção, GALP, LINDE Portugal e GSYF.

 

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