Carregado: militares que guardam Casa da Moeda não recebem há 10 meses

Militares da Guarda Nacional Republicana que garantem a segurança do Banco de Portugal (BdP) no Carregado estão sem receber vencimento desde Janeiro. BdP e o Ministério da Administração Interna não se entendem sobre o valor que deve ser pago aos guardas.

São cerca de três centenas os militares da Guarda Nacional Republicana que garantem a segurança das instalações do Banco de Portugal (BdP) no Carregado e que estão sem receber vencimento desde Janeiro. Tudo devido a um diferendo entre o BdP e o Ministério da Administração Interna (MAI), que tutela a GNR. As duas entidades não se entendem sobre o valor que deve ser pago aos guardas.

A notícia foi avançada já em Maio último, pelo semanário Sol, e agora é reforçada pela SIC Notícias: o desentendimento terá tido inicio em finais de 2017, quando 214 militares decidiram juntar-se e contratar um advogado com o propósito de reivindicarem um aumento do valor mensal que recebiam pelo serviço no BdP.

Segundo consta, esse valor não era actualizado há 23 anos. Cada militar recebia 278 euros semanais por um serviço prestado 24 horas sobre 24 horas, realizado em turnos de sete dias consecutivos. Este valor foi definido já no longínquo ano de 1995, quando o BdP e a GNR lavraram o acordo que define as condições em que os guardas tomam conta das instalações.

Além de reivindicarem a actualização do valor em causa, os militares – pertencentes ao Grupo de Intervenção de Ordem Pública (GIOP), a chamada ‘unidade de elite’ da GNR – discordam também do serviço em causa ser-lhes atribuído a título de «ajudas de custo». Refira-se que outras missões externas à GNR que os guardas levam a cabo são pagas a título de gratificado, regendo-se por uma tabela própria que estabelece valores à hora.

“Continuamos a prestar o serviço, mas não recebemos há quase dez meses, desde Janeiro”, denuncia um militar do GIOP, acrescentando que o corte súbito não foi acompanhado por qualquer explicação. “Temos tentado obter respostas através do comandante, mas não nos chega qualquer informação», queixam-se os guardas.

Várias fontes da GNR garantem que, a seguir às queixas, o comandante-geral da GNR, Mateus Couto, deu razão aos militares. Os militares do GIOP dizem-se desmotivados por trabalharem de borla. “É um serviço bastante exigente, com turnos de sete dias seguidos e que não nos permitem estar com a família”, garante um dos militares.

A Associação dos Profissionais da Guarda (APG) admite estar por dentro do atraso nos pagamentos. “Não temos qualquer informação sobre as razões que levam o serviço a não ser pago ou sobre quando a situação será regularizada”, garantiu César Nogueira, que assegura ainda que os atrasos nos pagamentos de serviços extraordinários não são novidade. “Só em Maio deste ano foram pagos os gratificados dos jogos de futebol referentes a Outubro do ano passado”, exemplifica o presidente daquela associação.

VIAAlexandre Silva
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