Região: Onda de calor extremo provoca prejuízos graves nas vinhas

O calor extremo que atingiu o país poderá ter provocado prejuízos bastante graves na produção vinícola também da nossa região. Os vinhos de Alenquer e do Oeste poderão ter sido irremediavelmente afectados. Este é mais um trabalho de qualidade, com a assinatura da direcção da ALAMBI.

A mais recente onda de calor extremo que atingiu o país poderá ter provocado prejuízos bastante graves na produção vinícola também da nossa região. Os vinhos de Alenquer, de Azambuja, do Cartaxo e da região de Lisboa-Oeste poderão ter sido irremediavelmente afectados. Este é mais um trabalho de qualidade, com a assinatura da direcção da ALAMBI – Associação para o Estudo e Defesa do Ambiente do Concelho de Alenquer.

Sabe quais são as consequências das alterações climáticas? O seu efeito nunca foi tão evidente entre nós como após a recente onda de calor de 4 dias, em que as temperaturas atingiram níveis nunca antes alcançados. A nossa viticultura regista prejuízos nunca vistos; nalguns casos é como se as cepas tivessem sido atingidas pelo fogo.

Há vinhas para uvas de mesa em que a uva queimada é superior a 50%, podendo mesmo atingir em alguns casos os 80%. Nalgumas vinhas para uvas de vinho os prejuízos podem ser superiores a 40%.

As perdas não afectam por igual todas as vinhas e são influenciadas por factores como a qualidade dos solos, a idade e vitalidade das vinhas e as castas. As vinhas mais afectadas são sobretudo as que estão instaladas em zonas de encosta, em terrenos com menor capacidade de retenção de água, que não suportaram a desidratação durante a onda de calor.

Uva queimada em anos mais quentes sempre houve, mas este ano as perdas atingem níveis alarmantes, de que não há memória. O efeito das alterações climáticas sobre a viticultura já tinha sido diagnosticado, e ainda este ano foi realizada na cidade do Porto uma Conferência em que este tema teve um papel central.

Para além da recente onda de calor, este ano foi atípico para a viticultura por outros factores. O inverno chuvoso obrigou a tratamentos intensos contra o míldio; chuvas persistentes, embora de baixa intensidade, na altura da floração, provocaram desavinho, e um verão fresco e nublado obrigou a tratamentos redobrados contra o oídio. Foi um ano em que aconteceram todos os factores adversos que podem ocorrer.

Todavia, o mais grave foi a devastadora onda de calor registada no início de Agosto, que vem questionar o futuro da nossa viticultura já que, com as alterações climáticas em curso, o que se prevê é o aumento das temperaturas médias e a intensificação deste tipo de fenómenos.