Azambuja: conservar vinho com flor de castanheiro arruma de vez com sulfitos

Azambuja promoveu um seminário subordinado ao tema inovador da conservação de vinhos substituindo os artificias sulfitos por um aditivo natural - a flor de castanheiro. A iniciativa reuniu cerca de três dezenas de vitivinicultores e vários profissionais ligados ao sector.

O Município de Azambuja promoveu um seminário subordinado ao tema inovador da conservação de vinhos substituindo os artificias sulfitos por um aditivo natural – a flor de castanheiro. A iniciativa reuniu cerca de três dezenas de vitivinicultores e vários profissionais ligados ao sector.

Para a intervenção dominante foi convidada a principal responsável pela investigação desta matéria – a Professora Doutora Isabel Ferreira, que desenvolve o seu trabalho no Centro de Investigação de Montanha instalado no Instituto Politécnico de Bragança.

Os resultados dos testes já realizados, não sendo definitivos, apresentam indicadores positivos no recurso à flor de castanheiro em substituição dos sulfitos habitualmente utilizados na conservação de vinhos. O conhecimento académico da oradora convidada foi complementado com a experiência prática do vitivinicultor Fernando Paiva (Quinta da Palmirinha), participante neste estudo universitário, oriundo de Felgueiras e produtor de vinhos por agricultura biodinâmica.

A partilha dessa experiência revelou a influência efectiva do aditivo natural flor de castanheiro no processo de fermentação e no controlo da acção de alguns fungos e bactérias. O estudo em curso sugere, igualmente, que o desempenho da flor do castanheiro é menos condicionadora das propriedades e dos aromas naturais dos vinhos, comparativamente à acção mais “agressiva” dos sulfitos. As questões ligadas à disponibilização deste produto no mercado e às burocracias da certificação são aspectos, igualmente, em desenvolvimento.

Relativamente à importância científica deste estudo, refira-se que a investigadora Isabel Ferreira é considerada pelo ranking internacional da “Thomson Reuters” uma das cientistas mais influentes da actualidade na área das ciências agrárias. Pertence ao grupo de seis investigadores radicados em Portugal, cujos artigos científicos foram os mais citados do mundo no ano passado. É também avaliadora de projectos de investigação e programas doutorais internacionais da UE e das fundações de ciência de 11 países da Europa, América do Sul e África. Na Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) tem sido ainda avaliadora de bolsas de doutoramento e de pós-doutoramento, sendo coordenadora do painel de Tecnologias Agrárias e Alimentares.

“Este seminário organizado pelo Município de Azambuja revelou-se uma boa iniciativa de divulgação de um processo inovador, particularmente aos interessados em enologia. A oportunidade foi aproveitada por diversos vitivinicultores de Azambuja, Cartaxo e Almeirim bem como por alunas universitárias e vários profissionais do Instituto Politécnico de Santarém, da Viticartaxo, da Associação Portuguesa de Enólogos e da Associação de Municípios Portugueses do Vinho”, refere fonte da organização.