
A Câmara de Alenquer vai adquirir o terreno onde está instalado o complexo da Associação Desportiva do Carregado. O município vai gastar um milhão de euros e a aquisição será feita aos herdeiros de Lacerda Pinto Barreiros, evitando desta forma que o clube seja obrigado a deixar o seu próprio campo de futebol.

A decisão foi tomada em reunião do executivo e mereceu o voto favorável da Coligação liderada pelo PSD. Frederico Rogeiro declarou, a propósito: “Os vereadores da coligação votaram a favor do negócio, pois entendem que a actividade do clube deve ser defendida, mas deixaram claro que a câmara falhou na defesa do interesse público neste processo, que vai sair muito caro aos munícipes, quando podia ter sido evitado ou ter tido outras soluções”.
O vereador, lider da bancada da oposição, acrescenta a propósito da afirmação anterior: “É importante que isto seja dito, pois branquear as responsabilidades do município neste processo levaria à conclusão de que a ADC foi objecto de favorecimento, e isso seria injusto para com o clube”. Recorde-se que o campo de futebol da Associação Desportiva do Carregado está instalado num terreno que pertence à família Pinto Barreiros, situação que decorre desde praticamente a fundação do clube, ainda na primeira metade do século passado.
Rogeiro, que foi candidato à presidência da autarquia em 2017, acrescenta: “aquando da elaboração do PDM, a Câmara de Alenquer podia ter classificado o terreno como espaço desportivo, o que teria salvaguardado o clube, mas não o fez e optou por classificar o terreno como urbano, assim fazendo disparar o seu valor de mercado e abrindo as portas ao actual problema. A consequência não foi surpreendente: os proprietários reclamaram o seu terreno de volta”.
Ainda de acordo com Frederico Rogeiro, e citamos, “Pode especular-se sobre o que terá estado por trás daquela classificação, mas o resultado está bem à vista: a ADC ficou numa situação delicada, com o seu futuro em risco”. Relembre-se ainda que, apesar da família Pinto Barreiros ter oferecido terrenos alternativos, nunca foi alcançado um acordo que permitisse a troca. Rogeiro refere, a este propósito: “A câmara, não sendo parte num processo que tendia para o lado dos proprietários, tinha todo o interesse nesse acordo, pois como agora se comprova é ela que vai ter de resolver o problema”.






















