
Aqui está aquilo a que na política se chama de herança difícil. António Amaral saltou da Junta para a Câmara de Azambuja em 2013 mas deixou a Freguesia praticamente depenada. Em conta ficaram somente 7.900 euros, que foi a quantia com que a nova equipa de governação pôde contar nos primeiros tempos de mandato. Mas a Junta de Azambuja recebeu cerca de 22 mil euros dois dias antes da passagem de testemunho de Amaral para Inês Louro. Mais ainda: no dia anterior às eleições autárquicas – 29 de Setembro de 2013 – os cofres da Freguesia de Azambuja registavam um saldo de 60 mil euros, a que se juntaram os já referidos 22 mil euros provenientes da última transferência efectuada por parte da Câmara de Azambuja. Essa transferência foi realizada a 15 de Outubro de 2013, a dois dias da tomada de posse. Nessa altura, a Junta de Freguesia deveria ter em conta qualquer coisa como 82 mil euros. Mas dois dias mais tarde, aquando da tomada de posse da equipa liderada por Inês Louro, havia somente… 7.900 euros. Amaral “derreteu” 74 mil euros em poucos dias. Pior ainda: nos dias seguintes à eleição, quando já havia uma nova equipa eleita para governar a Junta de Freguesia.
Amaral comprometeu o futuro imediato. “A gestão de António Amaral comprometeu o futuro imediato deste organismo após a nossa entrada em funções, pois até ao dia 14 de Janeiro do ano seguinte vivemos sempre com o credo na boca”, refere Inês Louro, que ficou bastante surpreendida quando o tesoureiro lhe entregou um parco saldo de 7.900 euros. A presidente da Junta de Freguesia de Azambuja confessa mesmo que nesse dia pensou em desistir, uma vez que o orçamento que tinha em caixa não dava sequer para as despesas inerentes à actividade da freguesia no periodo de um mês. “Acabámos por viver com o credo na boca durante o periodo de um ano, pois essa herança condicionou bastante todos os nossos projectos durante os primeiros tempos de mandato”, reforça Inês Louro. Há quem defenda que António Amaral nunca acreditou que a equipa do Partido Socialista liderada por Inês Louro conseguisse vencer as eleições em Azambuja, e por essa razão tratou de desbaratar o dinheiro da Junta nos últimos dias de mandato, com o claro objectivo de condicionar o trabalho da equipa que o viesse a suceder na Junta de Freguesia de Azambuja.

















