

O azar bateu à porta do munícipe Daniel Ouro, residente em Casais das Amarelas, na freguesia de Aveiras de Cima. Uma verdadeira montanha de alcatrão quase lhe tapa a visão e por pouco até os acessos à sua propriedade, naquilo a que o próprio munícipe apelida de aberração ambiental. Daniel Ouro garante que já apresentou o caso à Câmara de Azambuja, mas até agora não obteve qualquer resposta. “Em Março de 2015 apresentei uma reclamação que não teve qualquer retorno até à data de hoje”, refere o morador amargurado, que acrescenta: “Exijo que a Câmara Municipal de Azambuja dê a cara e que tenha a coragem e dignidade de me apresentar uma resposta cabal a esta reclamação, que há já mais de um ano que é ignorada e que permanece sem resposta”.

Ainda de acordo com o morador dos Casais das Amarelas, António Torrão, o presidente da Freguesia de Aveiras de Cima, assegurou que este assunto já foi levado várias vezes a assembleia municipal, mas a verdade é que continua sem resolução. “Gostaria de saber até quando se vai manter esta lixeira à porta da minha casa”, desabafou Daniel Ouro ao Fundamental. De resto, este munícipe coloca em causa a própria legalidade deste aterro. “Exijo ainda que me forneçam todos os documentos oficiais que licenciam a permanência/existência do centro de despejo de resíduos da central betuminosa da Tecnovia, praticamente dentro da minha habitação permanente, pois acho inconcebível que uma situação destas, que considero uma aberração ambiental, tenha qualquer suporte legal para existir no local onde se encontra”. Recorde-se que a resposta ainda não veio por parte da autarquia, não obstante o munícipe ter apresentado a situação há mais de um ano. Daniel Ouro não cansa de lembrar que vive praticamente com uma montanha de alcatrão dentro de casa: “Mais uma vez ressalvo que este aberração ambiental está praticamente dentro da minha habitação, e é extremamente incomodo e desagradável ter que conviver com o pó e maus cheiros que estas montanhas de resíduos criam”. Daniel Ouro complementa o seu raciocínio de forma taxativa: “Sempre me consternou e me intrigou como é que a Câmara de Azambuja, que supostamente devia zelar pelos interesses dos seus munícipes e do seu município, deixou deliberadamente instalar uma central desta natureza no seio de uma zona habitacional e que, findas as obras, permitiu que a empresa fosse embora sem remover todo o “lixo” que produziu (inclua-se os resíduos betuminosos) e sem reparar devidamente todos os danos que as movimentações inerentes à deslocação da maquinaria provocaram nos pavimentos”, refere o incomodado morador dos Casais das Amarelas, que complementa: “Em jeito de desabafo, gostava mais uma vez de salientar o meu descontentamento, consternação,preocupação e sentimento de injustiça junto da Câmara de Azambuja pelo modo como conduziu e conduz todo este processo. A imagem que a deixa transparecer, da sua a forma de atuar, reflete fidedignamente o“modus operandi” do nosso país, no qual impera o lobby, onde as grandes empresas atuam à margem da lei e onde cidadãos lesados e prejudicados são obrigados lidar com problemas que não criaram”.















