

Joaquim Ramos está a deixar o Partido Socialista de Azambuja em polvorosa e ameaça dividir o eleitorado fiel ao PS nas próximas autárquicas. Tudo porque o antigo presidente da Câmara de Azambuja meteu na cabeça que vai voltar a concorrer ao cargo, seja pelo PS ou por um movimento independente que afronte o seu actual partido. Recorde-se que Joaquim Ramos anunciou recentemente a sua disponibilidade para ser de novo o cabeça de lista socialista à Câmara de Azambuja, o que fez com que Luís de Sousa fosse a correr anunciar a sua intenção de ser recandidato, tendo na altura argumentado que a sua vontade de se recandidatar se devia à necessidade de combater a disponibilidade de Joaquim Ramos. Luís de Sousa pretende vencer as autárquicas de 2017 e pouco depois abdicar em favor de Silvino Lúcio, o seu actual vice-presidente, que voltará a secundar Sousa nas listas do próximo acto eleitoral, a realizar no ano vindouro. O grande problema reside na pretensa ressurreição política de Joaquim Ramos, que está a causar um tal incómodo em Sousa e em Lúcio a ponto do actual vice-presidente já ter garantido numa roda de amigos: se necessário for, lança a bomba atómica e arruma de vez com Joaquim Ramos.
Qual é a bomba, Silvino? Essa é a grande questão que se coloca em relação à “ameaça” que Lúcio deixou escapar recentemente. Tudo indica que terá a ver com o negócio da concessão do serviço de fornecimento de águas aos munícipes do concelho, um acordo que sempre deixou no ar muitas incertezas e outras tantas dúvidas. Silvino terá conhecimento de algum segredo político que possa deixar Joaquim Ramos em maus lençóis, mas há quem garanta que o contrário também é uma realidade e que Lúcio levará o troco ao mesmo nível caso lhe ocorra arrumar politicamente com Joaquim Ramos desta forma. Recorde-se que Joaquim Ramos foi presidente da autarquia de Azambuja entre 2001 e 2013, tendo conseguido três maiorias absolutas, a última das quais a mais expressiva para o Partido Socialista desde que há eleições livres no concelho. Por outro lado, foi Joaquim Ramos que conduziu o negócio de concessão das águas, que sempre levantou as mais diversas questões e dúvidas políticas, a ponto de levar alguns protagonistas locais – como Daniel Claro – quase ao desespero em sessões públicas da Câmara e da Assembleia Municipal. Há quem garanta que este negócio encerra uma espécie de “gato escondido com o rabo de fora”, e uma vez revelados os pormenores das negociatas políticas Joaquim Ramos poderá ficar com a imagem irremediavelmente abalada perante a população do concelho que, de resto, não está a reagir com entusiasmo a esta espécie de ressuscitar político do antigo presidente. O Fundamental recolheu alguns testemunhos junto de diversas correntes de opinião política no concelho e está em condições de assegurar que a intenção de Joaquim Ramos não está a ser levada muito a sério, sobretudo porque existem muitas dúvidas quanto às reais capacidades do ex-presidente para empreender um projecto desgastante como é uma candidatura à presidência de uma autarquia. Recorde-se que Joaquim Ramos não chegou a terminar o seu derradeiro mandato, porque a poucos meses do fim desse quadrénio foi confrontado com um problema grave de saúde que quase lhe roubou a vida. Ramos escapou por uma unha negra, mas ficou debilitado e fisicamente condicionado, tendo vindo a recuperar paulatinamente. Mas há quem garanta que o antigo presidente não tem as mesmas faculdades de outrora. Por outro lado, Joaquim Ramos sempre atribuiu às preocupações inerentes ao cargo de presidente as responsabilidades pelo acidente vascular que o assolou na primavera de 2013, pelo que um eventual regresso a estas lides está a ser visto como um passaporte quase garantido para um novo e grave problema de saúde, que naturalmente ninguém deseja.
PS de Azambuja em guerra interna. Joaquim Ramos disponibilizou-se para ser candidato pelo Partido Socialista no concelho de Azambuja, e provavelmente terá pensado que o anúncio dessa disponibilidade iria ser aceite em clima de festa por Luís de Sousa, Silvino Lúcio e companhia. Puro engano. Sousa ficou furioso e assustado e foi a correr anunciar que era candidato a candidato, um anúncio feito à pressa, sem projecto político ou sequer um contexto que justificasse a iniciativa que, de resto, passou completamente ao lado dos munícipes de Azambuja. Joaquim Ramos também não se ficou atrás e não escondeu a sua irritação pelo facto de Sousa e Lúcio não o acolherem como uma espécie de regresso de um Deus desejado. Aliás, bem pelo contrário: os actuais presidente e vice-presidente da autarquia deixaram bem claro que não querem Joaquim Ramos de regresso, vá lá saber-se as razões… Ramos sabe que Silvino Lúcio domina a Comissão Política Concelhia e que facilmente garante que o candidato escolhido pelos militantes será Luís de Sousa, caso haja lugar a um processo democrático de escolha – a palavra “democrático” neste contexto poderá levar a que alguns leitores riam a bandeiras despregadas, admitimos. Por essa razão, Ramos – que gosta pouco ou nada de ser contrariado e faz questão de deixar claro que terá que ser tudo como o próprio Ramos deseja – já ameaçou que vai ser candidato, dê por onde der. Nem que para tal tenha que concorrer à Câmara liderando uma lista independente, que seguramente iria fraccionar o próprio Partido Socialista de Azambuja, sendo certo que Joaquim Ramos está absolutamente convencido de que nesse caso iria vencer as eleições no concelho. Talvez lhe saia o tiro pela culatra, porque o povo anda cada vez mais atento aos sinais…
















