

A reportagem do Fundamental não estava presente quando Vladimiro Castilho de Matos escreveu o texto com que anunciou na rede social Facebook o fim da empresa familiar M.A.Matos, lda, mas não será difícil imaginar o quanto terá custado ao famoso empreendedor de Alenquer o anúncio do fim de uma actividade iniciada pelo seu próprio pai em 1948. “Achei que era altura de pôr um fim aos 67 anos de existência da M.A.Matos, fundada em 1948 pelo meu falecido pai Manuel António de Matos, assim como aos meus 48 anos de actividade profissional”, refere Vladimiro, dando igualmente a conhecer que vai retirar-se para um mais do que merecido descanso. O empresário de Alenquer, proprietário de uma das mais antigas entidades de âmbito familiar do comércio tradicional do concelho, acrescenta: “As dificuldades da vida empresarial assim o obrigam e, há que reconhecê-lo, as novas “artes de fazer comércio” já não são para mim”. Vladimiro de Matos, muito possivelmente de coração nas mãos na hora da despedida, acrescentou na sua carta: “Desejo agradecer em meu nome pessoal e da minha esposa a todos os colaboradores sem qualquer excepção, que sempre deram o melhor do seu esforço e dedicação profissional e afectiva com a M.A.Matos, Lda, e a todos os meus amigos e clientes que ao longo dos anos acreditaram em mim e na empresa que eu representei”. O empresário concluiu, agradecendo também a quem lhe é mais chegado: “Agradeço aos meus filhos e restante família, sempre presentes nos bons e maus momentos. A todos muito obrigado e um dia destes vemos-nos por aí”. Fica desta forma pelo caminho uma das mais prestigiadas casas dos tempos de explendor da vila-presépio.
A força do Nuno. Nuno Castilho de Matos é jornalista e filho de Vladimiro de Matos. Tal como sucedeu com a irmã, Nuno nunca demonstrou muita tendência para seguir as pisadas do pai no comércio tradicional de Alenquer. A seguir uma carreira bem sucedida na área da comunicação, Nuno Castilho de Matos não deixou de dar uma palavra de conforto ao pai na hora da despedida profissional: “67 anos de “vida”. Como se pode ver pela idade, já tem mais do que direito à reforma e ao merecido descanso. Mas uma coisa é certa, e digo-o mesmo não sendo minimamente imparcial: a M. A. Matos ficará por muitos anos na história do concelho de Alenquer. Foi a escola para muitos profissionais electricistas, por exemplo. Levou a imagem – através das televisões – e o som – através dos rádios – a todos os cantinhos do concelho de Alenquer, numa altura em que nem as estradas nem os veiculos ajudavam… e muito menos a disponibilidade financeira dos portugueses. Entrou dentro de casa de muitos do que estão a ler isto neste momento através dos eletrodomésticos. Mostrou grandes inovações como o ar condicionado ou os telemóveis. Dinamizou fortemente o comércio local e o próprio concelho. Esteve sempre presente na vida da sociedade civil e no apoio às associações”, refere o filho de Vladimiro de Matos, para logo de seguida acrescentar: “Do meu avô ao meu pai e a todos os que por lá passaram, aprenderam e ensinaram, foram muitas as horas, noites, dias, semanas, meses, anos, décadas de dedicação a 200%”. Nuno Castilho de Matos termina com uma palavra de incentivo, uma clara mensagem de cariz positivo: “Agora é tempo de mudar a página. A história fica. A vida continua!”
Um homem de fortes convicções. Vladimiro de Matos sempre foi – e seguramente continuará a ser por muitos e longos anos; esse é o nosso desejo – um homem de profundas convicções e um lutador nato pelos interesses do comércio tradicional. Frontalmente contra a invasão desmesurada e arrebatadora das grandes superfícies, Vladimiro presidiu durante vários anos à ACICA – Associação Comercial e Industrial do Concelho de Alenquer. Durante os seus mandatos a associação demonstrou uma vitalidade fora do comum e foram frequentes as iniciativas que visavam defender o interesse dos chamados pequenos e médios comerciantes. A empresa M.A.Matos chegou a ter diversas lojas abertas ao público na vila de Alenquer, onde o consumidor poderia encontrar um pouco de tudo, desde electrodomésticos e ferramentas de trabalho a telecomunicações ou aparelhos de ar condicionado, automatismos para portões… seria exaustivo elencar todas as áreas a que M.A.Matos se dedicava. Exaustivo e até meio despropositado. Afinal, tudo já não é mais do que uma agradável recordação de outros tempos, em que Alenquer era uma vila pujante e o seu comércio tradicional fervilhava de vida. (Nota do redactor: Um grande abraço, Sr. Vladimiro, e em nome do Fundamental o meu profundo agradecimento por tudo).
















