
Isabel Franco afirmou, em entrevista ao Fundamental, que a vereadora Ana Maria Ferreira virou costas a Aveiras de Cima depois que foi eleita.
Respeito a opinião da professora Isabel Franco e reconheço que não é fácil avaliar-se um trabalho feito na área da educação que não seja acompanhado da construção de um equipamento visível, como por exemplo uma escola. Sabendo que havia a intenção de construir um Centro Escolar em Aveiras de Cima, e tendo em conta que essa intenção não foi concretizada ao longo deste mandato, acho admissível que alguém que esteja de fora e que não acompanhe o meu trabalho diário na área da educação considere esse género de crítica.
Significa que Isabel Franco não faz ideia do trabalho que a vereadora Ana Maria desenvolve?
A questão é mais profunda. A educação, tal como toda a gestão autárquica, está hoje num paradigma totalmente diferente. Já não estamos no paradigma da construção, e como tal o trabalho realizado diariamente nos Agrupamentos do concelho é um trabalho muito sério, que envolve muito empenho por parte da câmara em questões como a logística, as refeições e os transportes escolares, o acompanhamento psicológico e familiar, os diversos projectos educativos, as questões relacionadas com a acção social escolar. São situações que não têm a visibilidade da construção de um equipamento, mas que são igualmente determinantes.
Bom, podem ser questões que escapem à maioria dos cidadãos, mas parece aceitável que uma pessoa que é professora há mais de três décadas, no concelho, esteja à margem deste trabalho menos visível?
Fica ao critério de cada um o acompanhamento que faz do trabalho da autarquia, concretamente nesta área da educação. A professora Isabel é de um nível de ensino onde a câmara não interfere directamente, e por essa razão talvez não esteja tão identificada com o trabalho que a câmara tem feito.
Isabel Franco também acusou a vereadora Ana Maria de permitir a inscrição no Orçamento de uma verba irrisória de 20 mil euros para a construção do Centro Escolar de Aveiras de Cima, referindo a candidata da Coligação que essa verba mal dá para fazer os caboucos.
Isso foi muito mal interpretado, e fiquei até surpreendida quando li essa afirmação na entrevista publicada na última edição do Fundamental, porque a professora Isabel tem assento na Assembleia Municipal, que é o orgão onde o Orçamento é aprovado, e deveria saber que essa verba não está inscrita no Orçamento com destino à construção do Centro Escolar de Aveiras de Cima. Esse é um documento público, onde toda a gente poderá constatar que o Centro Escolar está inscrito no Plano Plurianual de Investimentos; é um documento que nunca estará circunscrito a um único ano pela sua própria definição, e tem uma verba inscrita para o Centro Escolar de Aveiras de Cima que ultrapassa um milhão e quinhentos mil euros, tendo a execução prevista para o período que vai de 2013 a 2015.
Então Isabel Franco não soube interpretar o que leu?
Foi seguramente uma má interpretação. O que a professora Isabel Franco viu foi uma verba de 20 mil euros com a designação de Equipamentos Escolares e que está destinada a fazer pequenos investimentos, como reparações e outras intervenções, nos equipamentos das redes escolares do concelho.
Bom, estaremos perante uma situação grave, de alguém que é candidata à câmara e não sabe interpretar o Plano de Actividades e respectivo Orçamento, a ponto de fazer publicamente uma acusação com base nesse erro crasso de interpretação? Não estará Isabel Franco preparada para o desafio a que se propõe?
Não me considero a pessoa certa para avaliar se está capacitada, ou não, para desempenhar o cargo a que se propõe. Prefiro não tecer comentários em relação a esse assunto.
Quais foram as grandes mudanças ocorridas ao longo deste mandato na área da educação no município de Azambuja?
O paradigma de base manteve-se; fiz uma avaliação do trabalho que tinha sido desenvolvido, até enquanto professora, e pareceu-me um trabalho de qualidade, ao qual juntei um reforço na vertente ambiental. O que mudou foi a forma como o relacionamento entre escolas e autarquia foi processado. Nós já tínhamos uma relação forte com todas as estruturas do pré-escolar e do primeiro ciclo, que entretanto foram marcadas por algumas dificuldades financeiras, não deixando, mesmo assim, de serem relações cada vez mais fortalecidas. Reforçámos bastante a acção social escolar, para lá até do que é determinado pela Segurança Social, assumindo a câmara os custos com a alimentação e com os livros, atendendo aos casos concretos de que temos conhecimento.
Há muitas situações do género no concelho?
Há, infelizmente. Eu não consigo fazer uma estatística porque tratam-se de situações que vão aparecendo permanentemente, mas nota-se de uns anos para os outros, o que tem exigido da câmara um reforço dessa nossa acção.
Lá voltamos à entrevista de Isabel Franco: afinal a Ávinho é apenas bebedeiras e mais nada? Ou é um pouco mais do que isso?
Como residente e natural de Aveiras de Cima, e como filha e neta de vitivinicultores encaro a Ávinho numa perspectiva que obviamente não coincide com essa leitura que se faz, a de ser uma festa de bebedeiras. Compreendo que haja alguns excessos que resultam da distribuição gratuita do vinho, mas sinto que é um evento bem preparado e concebido para promover um produto que é uma marca simbólica de Aveiras de Cima. A autarquia, em colaboração com a escola, reconhece a importância da cultura da vinha e do vinho para Aveiras, e estamos a tentar abrir um curso de formação na área da vitivinicultura que permita despertar nos mais jovens o gosto pela continuidade da cultura da vinha, que marca a nossa terra. Custa-me que se faça uma leitura desse género de um evento que procura promover a vinha, o vinho e a terra.
Como é que a equipa reagiu à ausência repentina de Joaquim Ramos, ainda por cima tão próximo de um acto eleitoral e do final de mandato?
São duas as perspectivas em que devemos analisar essa situação. A primeira, a perspectiva profissional; e a segunda, a pessoal. Tivemos que rapidamente separar ambas, e no imediato o que sentimos foi a vertente pessoal; a preocupação, a tristeza pela ausência, e essa é uma situação que permanece ao fim destes quase 4 meses. Na questão da gestão dos assuntos da câmara todos os vereadores que ficaram trataram desde logo de assegurar com o mínimo possível de instabilidade que tudo continuaria a correr bem, não obstante a ausência do presidente. Tivemos que nos debruçar sobre assuntos que eram dos pelouros do presidente, e o vice-presidente em particular teve que fazer um esforço acrescido para se inteirar desses assuntos. Globalmente penso que temos conseguido manter a estabilidade na estrutura.
Joaquim Ramos elevou a fasquia do ser presidente de câmara?
Reconheço que é uma pessoa com uma capacidade elevada de liderança e uma visão estratégica sobre os assuntos colectivos muito acima da média, seja pelas suas características pessoais, pelos seus conhecimentos, quer seja pela sua formação e experiência de vida.
Luís de Sousa está à altura de encarar os novos desafios que se colocam aos autarcas que forem eleitos em 29 de Setembro?
Concerteza que está. Se não acreditasse nisso, eu não pertenceria à equipa. É a pessoa certa para ser neste momento o candidato do Partido Socialista.
Têm razão aqueles que afirmam que Joaquim Ramos negligenciou Aveiras de Cima neste mandato, depois do presidente ter prometido que este quadriénio seria dedicado à segunda maior freguesia do concelho?
É normal que as pessoas que não vivem nas sedes de concelho se achem sempre negligenciadas em relação ao investimento feito na sede de concelho. Houve investimento da câmara em Aveiras de Cima, que não foi valorizado por alguns habitantes, como de resto é lógico e aceitável. A construção e abertura da Casa da Câmara permitiu descentralizar alguns serviços, a par da requalificação do Largo da República. Temos um território amplo, onde devem ser feitos investimentos, que não devem ser concentrados numa só freguesia, mas eu admito que é muito importante que se consiga fazer o Centro Escolar de Aveiras de Cima, desde logo porque não temos em Aveiras pré-escolar da rede pública, ainda que tenhamos um Centro Paroquial local que presta um serviço de elevadíssima qualidade e de grande valor, que não exclui crianças por o agregado familiar não ter capacidade financeira; e também porque a EB 1 de Aveiras apresenta algumas dificuldades estruturais.
O Centro Escolar é para construir no próximo mandato?
Não vou fazer uma abordagem dessa questão em jeito de promessa. Esta obra só poderá ser executada com recurso a fundos comunitários; foi candidatada em 2010, foi aprovada, mas a câmara não teve capacidade financeira para assumir a sua componente de financiamento, como sucedeu com muitos outros municípios, tendo essa dificuldade coincidido com o início deste período difícil. A entidade de gestão do QREN voltou a propor à câmara, há uns meses, que identificasse um projecto para que pudéssemos fazer uso das verbas disponíveis, e a câmara de imediato propôs o Centro Escolar de Aveiras de Cima, que deste modo voltou a ser recandidato às verbas comunitárias. Será, de certeza absoluta, um dos grandes objectivos desta equipa em matéria de educação, a concretização do Centro Escolar de Aveiras de Cima. Há um outro aspecto que nos dificulta a execução desta obra: em vários momentos diversas entidades oficiais transmitiram-nos que enquanto o município estivesse sob assistência financeira a taxa de financiamento subiria para os 95 por cento, e nós só teríamos que assegurar 5 por cento do valor do investimento. Desde essa altura que a situação não foi alterada, e neste momento a taxa de financiamento continua a ser de 85 por cento. 15 por cento de obras que ultrapassam um milhão de euros tornam-se muito complicados de assegurar num contexto de grandes dificuldades de gestão diária dos assuntos correntes, como as que estamos a ter.
Porque mudou do PSD para o PS em 2009?
As pessoas que me conhecem bem sabem que não me movem quaisquer questões ideológicas, porque se as houvesse eu não teria qualquer legitimidade. A nível local as pessoas têm posições antagónicas em relação a muitos assuntos, mas essas diferenças nada têm a ver com ideologias. Em 2005 houve um convite por parte de uma pessoa para que eu integrasse um grupo, e eu aceitei, nada tendo a aceitação desse convite a ver com uma opção ideológica ou partidária. Esta é a verdade, e lamentarei outras interpretações. Em 2009 tive o convite de uma pessoa que admirava – e admiro – que me lança o convite para trabalhar na sua equipa durante 4 anos em áreas que me interessavam e que me desafiavam, e eu aceitei esse convite. Por vezes fazem-se leituras demasiado políticas, partidárias e até maldosas destas mudanças, que apelidam de tachos, vira-casacas… sei lá, as coisas que eu ouvi e que tive conhecimento que se comentava, que pessoalmente ninguém me disse nada. Tenho uma profissão que gosto muito e à qual voltarei em Outubro com muito entusiasmo caso não venha a ser eleita, tal como ficarei na câmara com o mesmo entusiasmo caso venha a ser eleita pelas pessoas para mais 4 anos.
















