

Os balcões da Caixa Geral de Depósitos de Abrigada e da Merceana vão fechar portas. O plano de reestruturação da Caixa, que está em marcha e foi exigido pela Comissão Europeia para que a recapitalização do banco público português pudesse ser feita acima dos 5 mil milhões de euros, determinou, numa primeira instância, o encerramento de 70 balcões da instituição, entre os quais se incluem os de Abrigada e Merceana.
No seguimento desta decisão os protestos das populações que são ainda servidas por estas dependências bancárias não se fizeram esperar e a administração da Caixa Geral de Depósitos acabou por reconsiderar a decisão inicial, mudando de ideias em relação a nove agências que constavam da lista de balcões previstos para fechar portas. Contudo, as agências de Abrigada e Merceana não foram contempladas por este retrocesso na decisão inicial de encerrar sete dezenas de balcões da CGD.
José Machado, deputado na Assembleia Municipal de Alenquer eleito pelo Bloco de Esquerda, refere discordar frontalmente da decisão da administração da Caixa Geral de Depósitos. O eleito garante que se opõe terminantemente ao fecho dos balcões em Abrigada e Merceana. “Na minha opinião está a ser negado aos habitantes destas localidades e de outras suas vizinhas o direito a beneficiar de um serviço essencial promovido por uma instituição pública”, refere José Machado.
Ainda de acordo com José Machado, esta decisão ganha contornos mais dramáticos se forem tidas em consideração as fragilidades económicas de muitos dos referidos habitantes, que lidam diariamente com as dificuldades inerentes à vida num meio rural. “Ao optar pelo encerramento destas agências, a CGD obriga um número considerável de alenquerenses a percorrer entre 15 e 20 quilómetros até à sede do concelho, onde se situa a agência bancária pública mais próxima”.
Machado complementa: “Tendo em conta que boa parte destes habitantes pertence também a uma faixa etária avançada e enfrenta ainda problemas severos de mobilidade, considero igualmente que esta medida é altamente discriminatória e lesa os interesses de quem vive no norte do concelho”.
O eleito do BE acrescenta igualmente que a CGD, ao enveredar por esta via, está a conceder para a desertificação do interior do país, mostrando-se insensível perante o mais que previsível impacto devastador deste tipo de ações para as economias locais e olhando para a interioridade como um problema menor. “Abrigada e Merceana não estarão à margem destas consequências negativas, esperando-se um crescimento da taxa de desemprego naquelas zonas do concelho, começando desde logo pelos lamentáveis despedimentos diretos dos funcionários das agências em questão”.




















