
O vereador eleito pelo PSD na Câmara de Alenquer está convencido de que o município tem todo o interesse em investir na compra de um helicóptero que ajude no socorro às populações em caso de sismo. Nuno Miguel Henriques falou no rescaldo do tremor de terra que abalou o país na madrugada desta segunda-feira e afirmou mesmo que há helicópteros baratos na Alemanha que Alenquer poderia adquirir para estacionar num heliporto que, reconheceu, ainda não está construído.
Numa das suas usuais e quase intermináveis dissertações em plena reunião do executivo ocorrida na manhã desta segunda-feira, dia 26 de agosto, Nuno Henriques afirmou: “Nós em Alenquer não temos um meio de evacuação aérea para feridos. Hoje um helicópetro comprado e adquirido é mais barato que muitos carros de luxo que estão por aí, e é possível adquirir um helicópetro na Europa”. Nuno Miguel Henriques disse mesmo que já andou a ver preços de pequenos helicópetros na Alemanha. “Parece-me que é um investimento a fazer; claro que também teremos de fazer um heliporto, mas temos as infraestruturas da Ota”.
Tiago Pedro presidiu à reunião do executivo camarário alenquerense na ausência de Pedro Folgado, em gozo de período de férias. “O Núcleo sub-regional da Proteção Civil tem neste momento um meio aéreo que está sediado na Lourinhã”, ainda respondeu o vice-presidente. Henriques retorquiu: “Lá está, sediado na Lourinhã e Alenquer ficaria para segundo ou terceiro plano, era um livre arbítrio”. O eleito do Partido Social Democrata acrescentou: “O sismo desta madrugada assinala uma mudança de paradigma; tem de haver uma alteração na Proteção Civil, e não é para andarem a passear os coletes”.
Embalado no uso (e abuso, em termos de tempo) da palavra, como de resto é habitual neste eleito, Henriques afirmou: “Sabemos que a partir de uma escala de 6,1 há o risco de tsunami, e as águas podem chegar através dos nossos leitos de água”, disse Henriques, dando o exemplo da Ribeira de Atouguia, na União de Freguesias de Abrigada e Cabanas de Torres, através da qual e segundo o próprio poderá chegar o próximo tsunami resultante de um sismo. “No Carregado temos um braço do Tejo que vem até ao nosso território, que deveria estar cuidado e com atenção mas que não está”, afirmou ainda.
Igualmente neste contexto Nuno Henriques falou, e citamos, “das piscinas ilegais que existem no território que não estão identificadas e não pagam IMI” e afirmou que as mesmas poderiam romper e a água “escorrer” caso o mesmo sismo tivesse epicentro em terra. “As pessoas fazem tudo, porque acham que podem fazer tudo, e nós já sabemos que é aos fins de semana que se fazem casas e sobem muros”, também disse Nuno Miguel Henriques.
Opinião do Diretor
Em 2021 Nuno Miguel Henriques deverá ter chegado a Alenquer de helicóptero e, não havendo heliporto (como reconheceu), deverá ter descido de paraquedas até à porta da Câmara Municipal. Henriques usa e abusa em todas as reuniões do tempo destinado à intervenção dos vereadores integrantes do executivo municipal.
Os seus discursos perdem-se no tempo e são potencialmente massacrantes tanto dos presentes como daqueles que seguem a reunião pelos canais da autarquia. Cada vez que aborda um tema facilmente mistura assuntos que nada têm a ver com o contexto, dando a sensação pela forma como se dirige aos restantes eleitos de que está convencido da superioridade do seu intelecto. Ao contrário do que sucede com o vereador da CDU (fazendo a comparação com o outro vereador da chamada oposição; mas ao fim e ao cabo o exemplo corresponde à postura de todos os eleitos, que se limitam a intervenções pontuais, justificadas e assertivas), Nuno Henriques fala de tudo e de mais alguma coisa; comenta todos os pontos da ordem de trabalhos com dissertações quase infinitas, como se se deliciasse a ouvir a sua própria voz, não poucas vezes puxando dos galões da sua formação académica e do seu percurso nas suas palavras exemplar, citando Camões, Aleixo ou Fernando Pessoa e misturando “alhos com bugalhos” como se diz na gíria popular. Excede claramente e em muito o tempo razoável que cabe a cada eleito para intervir numa reunião do executivo. Se todos os vereadores com assento naquele organismo tomassem por exemplo o tempo de intervenção de Nuno Henriques e considerassem ter o direito de replicar esse mesmo tempo nas suas próprias intervenções, então cada reunião de câmara em Alenquer duraria facilmente até à madrugada do dia seguinte. Nem Fidel Castro era tão massacrante, valha-nos São Alão.























