Comunistas de Alenquer contra orçamento para 2022: “Documento virtual que choca com realidade”

CDU votou contra o Orçamento de 2022 aprovado pela maioria Socialista na última reunião da Câmara de Alenquer. O vereador Ernesto Ferreira argumenta que "o orçamento proposto pela maioria PS resulta numa diminuição do investimento face aos orçamentos anteriores".

A Coligação Democrática Unitária votou contra o Orçamento de 2022 aprovado pela maioria Socialista na última reunião da Câmara Municipal de Alenquer. O vereador Ernesto Ferreira argumenta que, e citamos, “o orçamento proposto pela maioria PS resulta numa diminuição do investimento face aos orçamentos anteriores”.

Recordemos que o documento foi aprovado com os votos favoráveis da maioria Socialista liderada por Pedro Folgado, cuja composição saiu reforçada das últimas eleições autárquicas realizadas em finais de Setembro com a eleição de cinco representantes, contra dois vereadores da oposição – um da CDU e o restante eleito pelo PSD.

De acordo com Ernesto Ferreira, o vereador da CDU na Câmara de Alenquer, “a proposta apresentada traduz o assumir por parte do executivo da sua total incapacidade para executar os investimentos previstos nos orçamentos anteriores na exata medida em que a esmagadora maioria da despesa de capital prevista não é mais que a transposição, para 2022, das obras que a Câmara não foi capaz de executar em 2021 ou em 2020”.

Ernesto Ferreira vai mais longe e explica o ponto de vista da Coligação: “Tendo em conta os dados históricos de execução orçamental (em 2020 a taxa de execução das despesas de capital rondou os 40%) o orçamento do Município é desde logo um “documento virtual”, que choca frontalmente com a sua efetiva execução”. O eleito da CDU reforça: “Nesta matéria, mesmo recuando a períodos pré-pandemia, é fácil verificar que ficaram por executar cerca de 45% dos investimentos previstos”.

Ernesto Ferreira argumenta que tendo em conta estes dados, e voltamos a citar o vereador, “não será difícil concluir que os orçamentos do PS para município se limitam a criar expetativas às populações, que exigem do município soluções concretas para os seus problemas”. E remata em tom crítico: “Quem sempre assim governou o município não pode ter sequer o benefício da dúvida, até porque dúvidas não restam quanto à incapacidade deste executivo de fazer obra”.

A CDU também não concorda com a opção da criação de uma polícia municipal em Alenquer. A este propósito Ernesto Ferreira refere: “Tal decisão corresponde à desresponsabilização do Estado Central nas funções de garantia da segurança pública, criando também ela uma falsa ilusão nas populações uma vez que manifestamente tal competência não pode ser atribuída a um corpo municipal”.

Para a CDU a solução para a falta de recursos nas funções de fiscalização municipal, de proteção civil e outras atividades de apoio às populações devem necessariamente passar pelo reforço dos meios dos departamentos municipais competentes e não por uma, e citamos, “perigosa e ilusória criação de um corpo dito de “polícia”.

A Coligação liderada pelos comunistas argumenta também “que as propostas orçamentais para 2022 são completamente omissas em relação a investimentos essenciais, como é o caso do parque de pesados e da circular ao Carregado, infraestruturas essenciais para a mobilidade urbana no concelho e ainda na resposta aos problemas da habitação, requalificação urbana e ordenamento do território que exigiam uma visão estratégica e integrada de desenvolvimento”.

;
VIAAlexandre Silva
COMPARTILHAR