

A Associação do Centro de Dia para a Terceira Idade de Nossa Senhora do Paraíso está a viver um momento delicado, relacionado com a desconfiança da presença em um dos seus pacientes de uma bactéria hospitalar. Até ao momento nada está confirmado, mas um dos idosos afirma ter em si “o bichinho que apanhou no hospital”, naquilo que é interpretado pelos restantes utentes como a presença de uma bactéria hospitalar, já identificada. O filho do paciente em causa aconselhou o pai a permanecer em silêncio, até que esta situação seja esclarecida e eventualmente conheça um epílogo. Em Vale do Paraíso o assunto já é tema de conversa nos cafés e nos locais onde a população se encontra no dia a dia da aldeia, e a preocupação é evidente sobretudo nos familiares de outros utentes da Associação do Centro de Dia para a Terceira Idade de Nossa Senhora do Paraíso. A Delegada de Saúde diz nada poder fazer, a não ser que lhe seja apresentada a situação por escrito.
A propósito de um assunto desta natureza, o jornal Público noticiava a 14 de Outubro do ano passado: “O Hospital de Gaia garantiu nesta quarta-feira que não há, neste momento, nos seus cuidados intensivos doentes infectados com a bactéria identificada em Agosto naquela unidade. Ao todo, a bactéria contaminou até agora 30 doentes, dos quais oito acabaram por morrer, mas a unidade ressalva que em muitos casos eram pessoas com outras doenças graves. Ainda há 13 doentes internados em regime de isolamento”. O artigo em causa acrescenta: “Houve alguns óbitos em doentes que tinham a bactéria, mas não se pode dizer que a bactéria é que motivou o óbito, foi a doença que motivou o internamento do paciente”, esclareceu a responsável do Grupo Coordenador Local do Programa de Prevenção e Controlo de Infecção e Resistência aos Antimicrobianos do Centro Hospitalar Gaia/Espinho (CHVNG/E), Margarida Mota. A bactéria Klebsiella pneumoniae foi detectada a 7 de Agosto, segundo noticiou o Jornal de Notícias.
Segundo os especialistas nestas matérias, infecção hospitalar é toda a contaminação contraída durante o período de internamento hospitalar e normalmente é desenvolvida após o desequilíbrio da flora bacteriana humana, após métodos invasivos e do contato com a própria microbiota hospitalar. É toda aquela infecção que está relacionada com a hospitalização, quando o hospital, após a clínica laboratorial, não detectou o patógeno que causa a infecção, comprovando que o paciente não a possui no início do internamento e nem 72 horas após, tempo necessário para que haja alguma evidência sintomática. A infecção hospitalar é vista como um fator preocupante e por ter índices elevados de mortalidade é considerado problema de saúde pública. O ambiente hospitalar oferece agentes infecciosos variados e muito resistentes. Os doentes internados têm um maior risco de adquirirem infecções devido à própria natureza hospitalar, já que se expoem a microrganismos com os quais no seu dia-a-dia não entrariam em contacto. Estes doentes encontram-se mais enfraquecidos e as suas defesas contra as infecções estão debilitadas, e por este motivo torna-se necessário a efetivação dos procedimentos invasivos.
















