
Desde há pelo menos 3 meses que vivemos permanentemente em sobressalto por causa desta pandemia de Covid-19 que assola o País e o Mundo. Muitos de nós ainda não sentimos na pele o que é viver este problema na primeira pessoa. E se o vírus nos toca, ou chega a alguém com quem contactamos no dia-a-dia? Vamos conhecer a reacção de Sandra Azeitão quando percebeu que um colega de trabalho tinha testado positivo.

A Sandra trabalha na Garagem Habitual, a prestigiada oficina de Azambuja que ontem encerrou por 14 dias após ter sido detectado um caso positivo entre os seus funcionários. A administração desta oficina não deu quaisquer hipótese ao vírus de alastrar aos seus colaboradores e adoptou um comportamento responsável e exemplar. Agora, as instalações da Garagem Habitual vão ser desinfectadas e preparadas para o regresso ao trabalho daqui por duas semanas.

Mas na passada sexta-feira o dia foi bem diferente e a incerteza apoderou-se de Sandra quando ficou a saber o resultado do teste do colega. “Logo na sexta-feira à tarde, assim que soube que o teste do meu colega era positivo, enviei e-mails para a Saúde 24 a pedir aconselhamento, mas ninguém respondeu. Fui eu que no sábado de manhã liguei para a Protecção Civil de Azambuja e dessa forma obtive o contacto de Vera Maximiano, enfermeira da Delegada de Saúde“.
Sandra Azeitão conta como foram vividos os momentos posteriores: “A enfermeira decidiu que eu ficaria em quarentena, mas que o meu filho de 13 anos, que tem guarda partilhada comigo e com o pai, não necessitava de ficar em quarentena. O miúdo estava com o pai na sexta-feira e decidimos que assim continuaria e que fariam os dois a quarenta“, conta Sandra, realçando que a quarentena do filho e do ex-companheiro não foi determinada pela autoridade de saúde.
Enquanto pai e filho ficaram em quarentena noutro concelho vizinho, o mesmo se passou em relação a Sandra e ao namorado. “Decidimos que também o meu namorado deveria cumprir a quarentena, tal como eu, e a empresa para a qual ele estava a trabalhar também concordou com essa decisão“.

Sandra conta ainda que já hoje lhe foi dito pela enfermeira da Delegada de Saúde que a mesma não se responsabilizaria pela quarentena tanto do filho como do ex-companheiro, tão pouco pela quarentena do seu namorado. De acordo com Sandra Azeitão, a justificação dada prende-se com o facto de, e citamos, “ninguém ter sintomas e serem ligações secundárias ao caso positivo“.
Sandra refere igualmente não saber se vai ter direito a fazer o teste ou se terá de o pagar do seu próprio bolso. Ainda de acordo com a nossa testemunha, todo o agregado familiar do caso positivo detectado na Garagem Habitual está oficialmente de quarentena e todos vão ser sujeitos a testes à Covid-19.

Estaremos perante uma situação de alguma negligência, conforme sugeriu Sandra Azeitão, não havendo neste caso as preocupações de perceber a origem do contágio nem de evitar a propagação do mesmo? Fica ao critério do leitor tirar as devidas ilações. Acrescente-se que até ao momento nenhuma autoridade contactou a empresa onde trabalha o colega que deu positivo no teste ao coronavírus, ao contrario do que foi assegurado ao próprio funcionário aquando da sua presença no Hospital, na passada sexta-feira.

















