Azambuja: partido CHEGA desmorona – 5 autarcas viraram costas aos eleitores apenas 4 meses depois das eleições

"Nós no CHEGA somos feitos de outra massa; vão-se habituando", alertava Inês Louro semanas antes das eleições autárquicas de 12 de outubro, que a própria candidata estava absoluta e totalmente convicta de que iria vencer. Pouco mais de 4 meses após tomarem posse, sucedem-se as debandadas de norte a sul do concelho.

“Nós no CHEGA somos feitos de outra massa; vão-se habituando”, alertava Inês Louro semanas antes das eleições autárquicas de 12 de outubro, que a própria candidata estava absoluta e totalmente convicta de que iria vencer. Pouco mais de 4 meses após tomarem posse, sucedem-se as debandadas de norte a sul do concelho. São quase 2 milhares os eleitores defraudados pelo CHEGA em Azambuja.

A debandada começou logo no próprio dia das eleições, a 12 de outubro. Profundamente decepcionada com a votação que lhe valeu um modesto terceiro lugar, Inês Louro resolveu nessa mesma noite bater com a porta e informou oficialmente que nem sequer haveria de tomar posse como vereadora da oposição. A tal “outra massa” de que a candidata do CHEGA alegava ser a sua constituição não foi suficiente para que a causídica honrasse os 1820 eleitores que nela depositaram confiança. Recordamos que Inês Louro chegou a afirmar que, e citamos a própria, “gostaria de conhecer melhor José Sócrates” e que o tinha como “uma pessoa inteligente, competente e com uma personalidade forte”.

Para o lugar de Inês Louro, inquesionavelmente uma autarca experiente e com comprovada capacidade para desenvolver uma oposição assertiva – seria certamente esse o desejo dos eleitores do concelho que depositaram a sua confiança na candidata – ascendeu a atual vereadora Ana Sofia Pires, cuja experiência para o desempenho da missão fica muito aquém da ex-vereadora e ex-presidente da Junta de Freguesia de Azambuja.

Mas as dissidências e fugas dentro do partido CHEGA de Azambuja não ficam por aqui. Tiago Barata, o candidato do partido à União de Freguesias de Manique do Intendente, Maçussa e Vila Nova de São Pedro desvinculou-se do CHEGA e passou a ter assento na condição de independente na respetiva Assembleia de Freguesia. E em Aveiras de Cima, o candidato do CHEGA Joaquim Fernando Santos renunciou ao mandato naturalmente também na Assembleia de Freguesia.

A razia continua e mais recentemente foi o deputado municipal Carlos Fonte a abandonar o CHEGA, passando igualmente à condição de independente, poucas semanas depois de ter criticado publicamente Maria Lencastre Portugal, vereadora eleita pelo mesmo partido em Coimbra, por ter tomado exatamente a mesma decisão naquela autarquia. “Mais uma que se serviu do partido para ser eleita. Demita-se e deixe entrar o segundo da lista que foi eleito pelo partido”. E ainda reforçou: “Só oportunistas”, escreveu Carlos Fonte a 11 de janeiro. Poucas semanas depois fez exatamente o mesmo.

Para completar, para já, este ciclo de razia no CHEGA foi a vez de Cristina Moreira, 62 anos, funcionária pública, que agora renunciou ao mandato na Assembleia de Freguesia de Aveiras de Baixo. Segundo o que o Fundamental apurou, até ao momento nenhum dos candidatos do CHEGA na lista que concorreu a Aveiras de Baixo tem vontade ou pretende assumir o lugar deixado vago por Cristina Moreira. “Feitos de outra massa”, dizia Inês Louro. “Habituem-se”, reforçava a candidata que sonhava vir a ser presidente da Câmara de Azambuja.

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VIAAlexandre Silva
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