Alenquer: Cristina Inácio pode querer PSD local a ir com TODOS para a Guerra das autárquicas

As autárquicas de 2025 já estão a mexer em Alenquer de uma forma notável quando ainda faltam cerca de 12 meses para o sufrágio do ano vindouro. Cristina Inácio ainda não apresentou a candidatura de Pedro Afonso à Distrital laranja e parece inclinada para ouvir as propostas do TODOS no contexto de um possível apoio social democrata ao movimento.

As autárquicas de 2025 já estão a mexer em Alenquer de uma forma notável quando ainda faltam cerca de 12 meses para o sufrágio do ano vindouro. Para já existem duas certezas no panorama político local: Pedro Folgado dará por terminado um ciclo de três mandatos durante os quais foi eleito pelo PS sempre com maioria absoluta, não voltando a ser recandidato por imposição legislativa. A outra certeza: o Partido Socialista já apresentou João Miguel Nicolau como candidato sucessor do atual presidente.

Mas se o Partido Socialista tem, à partida, a casa arrumada – alguma eventual agitação interna provocada pelas recentes mudanças não transpiram para o exterior em quantidade suficiente para criar instabilidade – o mesmo não se pode afirmar em relação ao PSD. A estrutura local do principal partido da oposição é liderada por Cristina Inácio desde há pouco mais de um ano, mas os social democratas de Alenquer aparentam ter dado um passo atrás em relação ao passado recente, quando Pedro Afonso ressuscitou e liderou a concelhia até meados de 2023.

O Fundamental entrevistou Pedro Afonso a 26 de setembro e o social democrata de Penafirme da Mata confirmou a sua total disponibilidade para ser o candidato do PSD à presidência da Câmara de Alenquer, estando inclusive já arrumado e concluído o processo de escolha ao nível da concelhia. A próxima etapa passará pela aprovação dessa mesma candidatura perante a estrutura distrital do partido e depois, como conclusão do processo, a homologação da candidatura pela liderança nacional do PSD.

O problema do PSD de Alenquer terá a ver com a aparente ausência de estratégia por parte da liderança da Comissão Política Concelhia. Cristina Inácio parece ter dificuldade em definir o caminho que pretende que o partido siga neste processo. A candidatura de Pedro Afonso ainda não foi proposta pela Comissão Política Concelhia à estrutura distrital do partido. E é aqui nesta fase que entra o TODOS, pelo qual Cristina Inácio parece nutrir alguma simpatia, havendo quem garanta que a senhora veria com bons olhos um apoio do PSD de Alenquer a uma eventual candidatura deste novo movimento.

Tal como os leitores e seguidores do Fundamental sabem, o TODOS foi oficialmente apresentado a 28 de setembro como um movimento apartidário de reflexão sobre o Concelho de Alenquer. Os dirigentes do TODOS ainda não tomaram posse, estando a escritura de constituição desta associação agendada para a próxima semana, mas os impulsionadores do TODOS já trabalham no terreno. Oficialmente procuram congregar diversas sensibilidades oriundas de todos os espectros políticos em torno do movimento.

E é neste contexto que entra Cristina Inácio, que foi uma das muitas personalidades a marcarem presença na cerimónia de apresentação do TODOS. Fonte do movimento não esconde que o TODOS poderá vir a apresentar uma candidatura à presidência da Câmara de Alenquer, sendo o advogado Francisco Guerra o cabeça de lista mais que desejado. Cristina Inácio estará indecisa entre conduzir o PSD pelos trilhos de uma candidatura própria – recordamos que já tem candidato escolhido e aprovado internamente – ou de abdicar deste “caminho” e declarar apoio do PSD local a uma eventual candidatura de Francisco Guerra pelo TODOS.

Esta seria, para a líder do PSD de Alenquer, a solução mais simples no contexto das autárquicas, porquanto evitaria o trabalho árduo de ter de formar listas para todos os órgãos autárquicos em todas as freguesias do município. Trabalho para o qual a senhora não está claramente vocacionada, sendo prova a total ausência de dinâmica da estrutura local do PSD evidenciada desde há cerca de um ano. Já para o TODOS este apoio, ou até possível coligação, cairia do céu, uma vez que o movimento terá mais dificuldade em chegar ao restante concelho no sentido de apresentar listas nas diversas freguesias.

Quem não vê com bons olhos este aparente momento de deslumbre da líder do PSD em relação ao TODOS serão mesmo a esmagadora maioria dos elementos da própria concelhia, que não imaginam outro cenário que não seja uma candidatura própria do Partido Social Democrata, ainda que coligado com “velhos parceiros” como o CDS – Partido Popular, como admitiu o próprio Pedro Afonso na entrevista que concedeu ao Fundamental há poucos dias. Cristina Inácio já está a ser “mal-olhada” dentro do seu próprio partido, tendo praticamente toda a concelhia em estado de “desconfiança total” relativamente à sua atuação à frente do PSD de Alenquer.

O Fundamental procurou registar a posição de Pedro Afonso em relação a esta postura de indecisão por parte da líder do PSD de Alenquer em avançar com a proposta da sua candidatura perante a Distrital do partido, mas o já anunciado candidato a candidato recusou determinadamente tecer quaisquer comentários sobre o assunto, apenas reafirmando a sua disponibilidade para “ser candidato, se assim o partido entender”.

Já em relação à líder do PSD, o Fundamental Canal endereçou diversos convites para que a senhora fosse entrevistada, de resto na sequência de um contacto prévio da própria Cristina Inácio a 3 de maio deste ano, demonstrando abertura e disponibilidade para conceder a referida entrevista. Contudo, não foi possível por parte da dirigente encontrar uma data em que tivesse disponibilidade para o efeito, não obstante o Fundamental ter apresentado diversos convites e sugerido numerosas datas possíveis.

Recordamos que foi no seguimento de um cenário de indecisão e de ausência de organização e de dinâmica por parte da Comissão Política Concelhia do PSD local que em 2021 a estrutura distrital do partido fundado por Sá Carneiro liderada pelo experiente Duarte Pacheco se viu obrigada a “mandar para Alenquer” o atual vereador Nuno Miguel Henriques. Que não terá chegado de helicóptero, por não haver heliporto em terras de Damião de Góis, mas que por estes dias estará “de cadeirinha” a apreciar a falta de rumo que o PSD que representa na câmara e que lhe retirou a confiança política demonstra ao nível da liderança da concelhia. Andam TODOS atentos a ver no que isto vai dar…

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VIAAlexandre Silva
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