Montejunto: associação ambiental de Alenquer questiona utilidade do estatuto de paisagem protegida

"Protegida de quê?" É desta forma contundente que a ALAMBI questiona o estatuto de paisagem protegida da Serra do Montejunto. "Afinal de que foi protegida esta serra?", perguntam os responsáveis pela associação para defesa do ambiente sediada em Alenquer.

“Protegida de quê?” É desta forma contundente que a ALAMBI questiona o estatuto de paisagem protegida da Serra do Montejunto que, de acordo com a direção desta associação, não foi alvo de qualquer trabalho de conservação ou sequer de uma gestão regulamentar. “Afinal de que foi protegida esta serra?”, perguntam os responsáveis pela associação para defesa do ambiente sediada em Alenquer.

Esta entidade refere: “passam 23 anos desde a criação da Paisagem Protegida da Serra de Montejunto sem que qualquer trabalho de conservação tenha sido realizado e sem que haja ainda uma gestão regulamentar”. Ainda de acordo com a posição defendida pela associação ambiental, o projeto do plano de ordenamento e gestão da paisagem protegida é datado de 2011 mas nunca foi publicado em Diário da República e nunca entrou em vigor.

“As plantações de novos povoamentos de eucalipto não têm parado, sobretudo em terrenos agrícolas encravados entre os imensos baldios geridos pelo ICNF ou por compartes, sendo assim criada no Montejunto uma mata contínua, com cada vez menos aceiros e espaço de corta-fogo, o que dificulta as possibilidades de controlo de incêndios, priva os bombeiros de zonas de refúgio em caso de necessidade e expõem-nos e aos equipamentos a maiores riscos”, complementa o presidente da Associação.

Ainda segundo posição assumida por esta associação, e citamos, “o Montejunto também não está protegido da agressão dos desportos motorizados, como foi recentemente demonstrado com a realização de uma etapa do rali de Lisboa em pleno coração da Serra, território da Rede Natura e zona florestal”. Acrescentam os responsáveis da ALAMBI que o ruído, a velocidade e a agitação causados por este tipo de desportos constituem fatores de perturbação e de risco para a vida selvagem, incompatíveis com os objetivos de conservação subjacentes a uma Área Protegida e à Rede Natura.

Criada há 23 anos, a Paisagem Protegida de Montejunto nunca teve uma gestão regular. O Conselho Consultivo, um dos dois órgãos inerentes ao funcionamento da Paisagem Protegida, não reúne há 20 anos e a própria Rede Natura da Serra de Montejunto, constituída no ano 2000, também tem estado todos estes anos sem Plano de Gestão, de acordo ainda com fonte da ALAMBI, “o que levou o grupo parlamentar do Partido Socialista e o grupo parlamentar de Os Verdes a apresentarem Projetos de Resolução, já no final da legislatura, a recomendar ao governo a elaboração destes Planos”, acrescentam.

A direção da ALAMBI ainda refere: “no território do município de Alenquer existem duas áreas protegidas, Montejunto e o Canhão Cársico de Ota, e o seu funcionamento não podia ser mais contrastante, pois no Canhão Cársico os objetivos estão bem definidos, desenvolve-se trabalho de conservação e o funcionamento institucional é regular. Quanto a Montejunto, é o que se descreve”.

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VIAAlexandre Silva
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