DHL de Azambuja pode ter pessoas a trabalhar infectadas – o alerta vem do CESP

A DHL de Azambuja continua a poder ter pessoas a trabalhar que testaram positivo pela Covid-19. O CESP alerta para esta possibilidade devido ao tempo que medeia entre a realização e o conhecimento do resultados dos testes. Os trabalhadores estão em greve parcial até sexta-feira.

Os trabalhadores da Zona Industrial de Azambuja afectos ao Sindicato do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal estão a cumprir um período de greve parcial que dura desde segunda-feira e vai manter-se até à próxima sexta-feira. Trata-se de uma semana de luta aprovada em plenário de trabalhadores, com greves parciais entre as 9 e as 10 horas, que reivindicam um plano de contingência mais abrangente e melhoria de salários.

Ricardo Mendes, dirigente sindical do CESP, afirma ao Fundamental: “Infelizmente há armazéns onde o plano de contingência não está a ser respeitado, como é o caso da DHL Suplly Chain, onde inicialmente reivindicámos que fossem aplicados os mesmos planos de contingência, com a mesma atenção em relação aos testes que entretanto não se verificam“.

Ricardo Mendes complementa sobre este assunto: “A DHL deixou de testar os seus trabalhadores, e o problema é que são pessoas na sua maioria jovens, assintomáticos, que podem estar a trabalhar infectados e a contagiar outros colegas“. O sindicalista relembra que os trabalhadores que ainda efectuam os testes passam vários dias a trabalhar e muitas vezes são informados de que testaram positivo: “Continua a haver casos de trabalhadores que foram testados e ainda não conhecem os resultados dos testes. Se vierem a dar positivo, essas pessoas estiveram a trabalhar infectados durante vários dias, em transportes públicos, junto de colegas, como já aconteceu recentemente“.

De acordo com a posição do CESP, aqui relembrada por Ricardo Mendes, o procedimento correcto passa pelos trabalhadores serem testados massivamente e os resultados saírem no imediato. “O trabalhador que der positivo vai logo para quarentena e todos os que estiveram em contacto serem logo testados em quarentena“, acrescenta o sindicalista. Um modo de proceder que está muito longe de ser o que se verifica actualmente na DHL, a título de exemplo, e de acordo com as declarações de Mendes.

Mas as reivindicações que deram origem ao movimento grevista não se esgotam nas questões “Covid”. Ricardo Mendes relembra: “Estes trabalhadores ganham o salário mínimo nacional, independentemente dos anos de experiência como trabalhadores da empresa, e a questão das pausas, que foram retiradas e que continua a ser uma das nossas reivindicações. No dia 22 repuseram as pausas, mas os testes e as questões salariais continuam por resolver e por essa razão mantivemos a greve“, explica o representante do CESP.

O sindicalista destaca a Sonae Modelo e Continente pela positiva, onde neste momento os trabalhadores voltam a ser testados ao fim de 14 dias, os que regressam de férias não entram ao serviço sem serem testados e os que regressam de uma ausência prolongada também ficam sujeitos à realização de testes. “Infelizmente estas logísticas continuam a contratar trabalhadores temporários para fazer o lugar de trabalhadores efectivos e verifica-se uma discriminação em relação aos trabalhadores dos quadros. Nós reivindicamos testes e medidas de contingência para todos“, reforça o representante do CESP.

Ricardo Mendes continua a falar de ajuntamentos desproporcionais e distanciamento social inexistente em determinados contextos: “Ainda hoje os trabalhadores juntam-se em aglomerado para entrar ao serviço e assim ficam até as portas dos armazéns se abrirem, e com estes comportamentos é bem possível que de um momento para o outro os números de casos positivos venham a aumentar, tal como aconteceu em poucos dias na Sonae MC, porque os trabalhadores ou não são testados ou os resultados dos testes que são feitos levam muito tempo até serem divulgados. É bem possível que estas pessoas estejam a trabalhar infectados“, alerta o sindicalista.

VIAAlexandre Silva
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