
Os trabalhadores da DHL em Azambuja continuam a deixar bem clara a sua revolta devido à situação pela qual estão a passar. Afirmam publicamente que nos últimos dias têm trabalhado na empresa pessoas que deram positivo aquando dos testes realizados no passado dia 4 de Junho. Uma semana após os mesmos ainda havia casos de infecção a trabalhar na empresa.

Serão cerca de 30 os casos positivos na DHL de Azambuja, contando com a unidade fabril DHL, com os trabalhadores afectos às empresas de trabalho temporário e ainda os funcionários que asseguram a limpeza através da empresa sub-contratada denominada Safira. Paulo Quintães, director do entreposto, afirma que são 19 os casos confirmados e 4 os testes cujos resultados foram inconclusivos.

De acordo com António João Sousa, Delegado Sindical do CESP, que também é funcionário da DHL de Azambuja, os últimos seis resultados positivos chegaram 8 dias depois da realização dos testes. Foram conhecidos entre as 17:30 e as 19 horas e os trabalhadores em causa estavam de serviço. António Sousa acrescenta: “A empresa culpa a Direcção Geral de Saúde pelo atraso na entrega dos resultados e nega que se faça novos testes, omitindo também quem são os inconclusivos, obrigando-os a continuar a trabalhar“.
Ainda segundo António João Sousa, e citamos, “a DHL obriga quem esteve em contacto com os colegas positivos a continuar a trabalhar, contrariando as directrizes da DGS, dizendo que quem tem a obrigação de colocar os trabalhadores em casa é o Serviço Nacional de Saúde“.
Já Filomena Leitão, uma trabalhadora desta unidade, afirma publicamente na sua página na rede social Facebook: “O desrespeito pelo nosso trabalho e pela nossa saúde ultrapassa todos os limites aqui na DHL“. Esta trabalhadora acrescenta: “A Sonae neste momento é o cliente da DHL, que paga para irmos trabalhar com colegas contaminados, e o mais grave de tudo é que não há trabalho“.
Esta testemunha também confirma o que o Fundamental já noticiou há dois dias: “Fizemos os testes à Covid no passado dia 4, estivemos sempre a trabalhar, e no dia 11 ainda estavam a informar os colegas que tinham dado positivo nos testes, que sempre se mantiveram a trabalhar“.

Filomena refere ainda, em jeito de desabafo: “Isto é uma vergonha; eles (os responsáveis pelos Recursos Humanos) estão a gozar o fim de semana alargado fora da empresa, e nós estamos aqui a trabalhar, positivos misturados com negativos, todos juntos… isto e surreal“. A trabalhadora acrescenta: “Repare que não estamos a falar de bens essenciais, mas depois vêm pregar que o mais importante são as pessoas… uma palhaçada, uma desilusão total“.

Já António João Sousa acrescenta: “A empresa só deu esclarecimentos porque os trabalhadores exigiram. Os trabalhadores estão sem qualquer condição psicologia para prestar um bom serviço, e a empresa diz que o foco dos trabalhadores tem que ser continuar a servir o cliente (Sonae) que também nada faz para ajudar os trabalhadores que até a um ano atrás eram seus“. O Mundo em que vivemos.

















