
Muitos trabalhadores que testaram positivo pela Covid-19 na semana passada continuaram a laborar na Sonae e na DHL em Azambuja durante praticamente uma semana. Os casos foram relatados ao Fundamental pelos próprios trabalhadores em causa, que efectuaram os testes na passada quinta-feira mas que só conheceram os resultados dos mesmos nas últimas horas. Enquanto isso nunca pararam de laborar.

Um colaborador da Sonae conta ao Fundamental: “quem está a trabalhar no turno da manhã recebe uma mensagem a meio do turno quando o seu teste deu positivo e no seguimento dessa mensagem a pessoa vai-se embora para casa“. A mesma fonte explica: “quem está a trabalhar no turno da noite entra às 17 horas e o turno dura até às duas da manhã. Essas pessoas chegam à hora do jantar e têm as mensagens nos seus telemóveis a dizer que os seus testes deram positivo“.

Ou seja, há trabalhadores que acusaram positivo nos testes à Covid e que se mantém em funções devido a verificar-se um período de dias entre a realização dos testes e a divulgação dos resultados desses mesmos testes às pessoas em causa. A mesma fonte desabafa nesse sentido: “Como é possível trabalhadores fazerem o teste e continuarem a trabalhar quase há 8 dias? Quantas pessoas é que não estão já infectadas dentro do online?“.
Já no armazém da Sonae/DHL passa-se algo de semelhante. O sindicalista António João Sousa conta ao Fundamental que os resultados dos testes à Covid-19 que foram realizados na passada quinta feira estão a chegar “a conta gotas”. De acordo com este Delegado Sindical do CESP, os resultados vão sendo comunicados mas somente aos trabalhadores que testaram positivo.
António Sousa acrescenta a este propósito: “A maioria dos resultados dos testes são comunicados muito tardiamente“. O Fundamental teve acesso a uma comunicação interna, que passamos a transcrever: “Camaradas, temos mais uma situação muito preocupante; dois dos colegas infectados souberam que estavam positivos através do médico que os iria acompanhar na quarentena; um dos médicos já sabia o resultado desde quinta-feira“.

Este relato impressionante revela bem como funcionam as coisas ao nível da informação que é disponibilizada aos funcionários relativamente ao seu estado de saúde. O trabalhador só soube que estava infectado vários dias após efectuar o teste, e soube-o pelo médico que já estava destinado a acompanhar a sua quarentena. Durante dias esteve a trabalhar e era portador da Covid-19, tendo sido um potencial foco de infecção para os restantes colegas.

Ou seja, a empresa não passa atempadamente esta informação para os trabalhadores infectados, que se mantém a trabalhar mesmo tendo testado positivo. O Fundamental sabe que neste momento os casos positivos na DHL deverão andar em torno das duas dezenas, a avaliar pelos trabalhadores que já foram notificados neste contexto. Resta saber, tanto na Sonae como na DHL, quantas foram as pessoas infectadas que trabalharam dias a fio.

















