Azambuja: neto de idosa com coronavírus diz que avó foi abandonada pela Santa Casa da Misericórdia

Este caso diz respeito à Santa Casa da Misericórdia de Azambuja, ao seu funcionamento interno e ao apoio que deveria ser prestado a uma idosa de Casais de Baixo infectada com o coronavírus. E é bem exemplificativo dos tempos difíceis e complicados em que vivemos devido à pandemia de Covid-19 que assola o Mundo.

Este caso diz respeito à Santa Casa da Misericórdia de Azambuja, ao seu funcionamento interno e ao apoio que deveria ser prestado a uma idosa de Casais de Baixo infectada com o coronavírus. E é bem exemplificativo dos tempos difíceis e complicados em que vivemos devido à pandemia de Covid-19 que assola o Mundo. Vamos contar-lhe toda a história. Um exclusivo do Fundamental.

Maria Irene Parracho e Maier Oliveira Mendes são um casal de idosos de 79 e 80 anos que vivem em Casais de Baixo, na Freguesia de Azambuja. Ambos testaram positivo pela Covid. A senhora é assistida pelos serviços de Apoio Domiciliário da Santa casa da Misericórdia. Este serviço é assegurado por somente três funcionárias da Santa Casa que, ao contrário dos restantes colabores desta instituição, não têm oportunidade de fazer turnos alternados de 8 em 8 dias como medida de prevenção para a Covid-19.

Nos últimos dias de Abril estas três senhoras deslocaram-se uma vez mais ao domicílio do Casal Maria Irene e Maier Mendes para garantir alimentação e cuidados de higiene a Maria Irene, que padece de problemas de saúde, já que foi operada há dois meses à coluna vertebral. No local constataram a presença de João Parracho, neto do casal, trabalhador na Avipronto e que apresentava um quadro sintomático condicente com a infecção pelo coronavírus. Essa situação foi confirmada pelo jovem ao Fundamental. João Parracho está em casa desde 30 de Abril, no Carregado, e já se livrou da infecção pelo coronavírus.

Na altura, as três senhoras ficaram naturalmente alarmadas. No dia 4 de Maio, uma segunda-feira, deslocaram-se a Alenquer onde fizeram o teste à Covid-19 numa clínica privada. O teste foi feito às 7 da manhã, com as senhoras a ficarem em pé e em plena rua, uma vez que não lhes foi permitido o acesso ao interior da clínica devido ao quadro de desconfiança em que estavam envolvidas. Uma zaragatoa nasofaríngea permitiu averiguar que naquele momento as três senhoras deram negativo. O dia ficou estragado pelo mal estar e dores que o teste causou a estas três funcionárias.

Seria de esperar que estas colaboradoras do Apoio Domiciliário ficassem de quarentena pelo menos por 14 dias, período durante o qual a doença pode manifestar-se. Não nos esqueçamos que o seu trabalho consiste em dar apoio domiciliário a dezenas de idosos, nas casas dos quais entram diariamente. Não foi isso que aconteceu, e estas três funcionárias continuaram a trabalhar durante toda a semana que se seguiu. Já na semana posterior, entre 11 e 15 de Maio, uma das três senhoras entrou de baixa. O Fundamental sabe que tem sido pressionada a um ritmo quase diário para regressar ao trabalho.

De regresso ao casal de idosos de Casais de Baixo. Maria Irene continua a pagar 140 euros mensais à Santa Casa da Misericórdia, mas já não vê assegurado o serviço de higiene pessoal nem a alimentação pelo menos há 20 dias, de acordo com o testemunho do neto do casal. “Olhem só a consideração que a Santa Casa tem pela minha avó, a quem não prestam os serviços de higiene por causa de eu ter acusado positivo pela Covid-19”. Foi o que tornou público o neto deste casal de idosos já no final de tarde desta terça-feira.

De acordo com João Parracho, os serviços da Santa Casa voltaram hoje a deixar comida em casa dos avós, em Casais de Baixo… mas deixaram a comida dentro de um saco e o saco ficou no chão, ao portão da propriedade, que ainda dista uns metros relevantes da habitação principal (como se vê na fotografia). De acordo com o neto de Maria Irene, e citamos, “ainda têm a coragem de fazer esta pouca vergonha, deixarem um saco de plástico com a refeição no meio das ervas e tão longe da porta da casa da minha avó em vez de irem deixar a comida na porta de casa”. Parracho afirma que a comida ficou “à esturra do sol” pelo menos duas horas e meia, entre as 13 e as 15,30 horas. “No final do mês lá estará a minha avó a pagar os serviços que não foram prestados e a comida que vai para o lixo”, escreveu igualmente o neto do casal de idosos.

O Fundamental telefonou e insistiu com o Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Azambuja para que nos esclarecesse sobre todos estes factos. Enviámos um email ao cuidado de Vítor Lourenço com algumas questões relacionadas com todo o conteúdo desta reportagem. Devido à natureza e à complexidade dos assuntos em causa, e porque seria, de acordo com o Provedor, muito difícil responder de forma ponderada e esclarecedora em tempo útil às questões apresentadas, ficou a promessa de Vítor Lourenço de que concederá uma entrevista ao Fundamental Canal com o intuito de esclarecer e informar todos os nossos leitores e a comunidade acerca deste assunto, sendo que o Fundamental manifestou, naturalmente, toda a sua total disponibilidade e concordância para realizar essa entrevista filmada.


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Nuno Cláudio e André Salema: ambos viram dois irmãos partirem vítimas de acidentes de viação. Salema luta hoje pela requalificação da EN3 entre Azambuja e Carregado. Jornalista e dirigente encontraram-se para conversar junto ao memorial da Plataforma em Vila Nova.

VIANuno Cláudio
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