Reunião em Azambuja: autarcas apertam com a CP e Freguesia não dá descanso à Avipronto

Reunião entre o "Estado Maior" de Azambuja, Governo e empresas da Zona Industrial. Foco nas condições de transporte dos comboios da CP e na necessidade de testar todos os 8 mil trabalhadores. Inês Louro continua a fazer marcação serrada à Avipronto, que acusa de grande responsabilidade na pandemia que alastra na sua freguesia.

Decorreu nesta manhã de segunda-feira a anunciada reunião entre o “Estado Maior” de Azambuja, Governo de Portugal e algumas das empresas sediadas na Zona Industrial. O debate em torno da segurança dos cerca de 8 mil trabalhadores daquelas unidades fabris continua na ordem do dia. O foco da reunião esteve permanentemente nas condições de transporte associadas aos comboios da CP, responsáveis por grande parte da chegada e partida de trabalhadores àquelas fábricas.

Em Azambuja estiveram Duarte Cordeiro, Secretário de Estado e o responsável Covid-19 na Região de Lisboa e Vale do Tejo; João Neves, Secretário de Estado da Economia; Mário Duval, Delegado de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo; e Carlos Mata, Delegado Regional da Saúde Pública. Marcou ainda presença nesta reunião todo o executivo da Câmara de Azambuja, Presidente da Assembleia Municipal e os Presidentes das Freguesias de Azambuja, Vila Nova da Rainha, Aveiras de Cima e Vale do Paraíso.

O ponto central desta reunião, que decorreu no Auditório do Centro Paroquial de Azambuja, andou sempre em torno de duas questões: por um lado, os transportes assegurados pela CP e a distância de segurança que é exigida neste ambiente, tanto no decurso do transporte como à saída das carruagens nas estações de embarque e de destino. Ficou assente a necessidade de continuar a pressionar a CP para assegurar estas condições.

Por outro, a pressão dos autarcas de Azambuja no sentido de solicitar que sejam testados todos os trabalhadores das empresas de logística com unidade fabril da Zona Industrial de Azambuja – Vila Nova da Rainha, face à importância desta área de produção para a economia nacional e tendo em conta os mais de oito milhares de trabalhadores que aqui prestam serviço.

De realçar também a presença de Luís Medeiros Vieira, director da Avipronto. O empresário foi abordado e questionado pela Presidente da Freguesia de Azambuja. Inês Louro continua a não calar a sua revolta para com o estado a que Azambuja chegou devido ao elevado número de cidadãos infectados que resultaram daquilo a que a autarca considera ter sido falta de responsabilidade da Avipronto.

Trabalhadores da Avipronto que vivem com cidadãos infectados foram chamados para trabalhar hoje

Ainda ontem, Domingo, trabalhadores da Avipronto de Azambuja que vivem na mesma casa com cidadãos portadores de infecção foram convocados para começar a laborar hoje na fábrica. O erro crasso foi detectado a tempo e a Delegada de Saúde lá emendou a mão. Inês Louro teme que situações desta natureza se repitam e escapem às autoridades. Será meio caminho para um regresso ao contágio comunitário.

A Presidente da Freguesia de Azambuja foi mesmo assertiva com Luís Medeiros Vieira, o administrador da Avipronto. “Se o senhor quiser fazer alguma coisa de útil hoje, então vá averiguar quem fez os telefonemas ontem e inteire-se sobre se houve alguém mais que relatasse que não podia ir trabalhar por viver na mesma casa com pessoas portadoras do coronavírus, mesmo que por erro constem da lista dos autorizados, e tome providências”.

Esta conversa entre Inês Louro e o administrador da empresa Avipronto teve lugar no final da reunião. Luís Medeiros, depois de terminada a reunião, assegurou à comunicação social que, e citamos, “decidimos reabrir a Avipronto com 10 por cento dos trabalhadores, o que corresponde a 30 colaboradores, quando o poderíamos ter feito com até 150 trabalhadores”.

Este administrador assegurou ainda que a Avipronto vai fazer testes aos cerca de 300 trabalhadores da empresa. Já Duarte Cordeiro, Secretário de Estado e responsável Covid-19 do governo para a Região de Lisboa e Vale do Tejo, reconheceu que esta falha detectada ontem foi grave, quer por parte da Direcção Geral de Saúde, quer por parte da empresa Avipronto.

No final da reunião João Neves, Secretário de Estado da Economia, assegurou que, e citamos, “na industria alimentar temos métodos de verificação dos produtos à saída das fábricas, pelo que posso assegurar com toda a certeza de que a qualidade destes mesmos produtos está garantida”.

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VIAAlexandre Silva
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