
Decorreu na manhã desta quinta-feira uma reunião em Azambuja que juntou à mesma mesa as forças vivas do concelho e ainda representantes da autoridade nacional de saúde. Em discussão estiveram os acontecimentos que envolvem as empresas da Zona Industrial Azambuja – Vila Nova da Rainha e os casos de covid-19 detectados nestas unidades fabris.

Estiveram presentes todo o executivo da autarquia de Azambuja, o presidente da Assembleia Municipal, Guarda Nacional Republicana e os autarcas que lideram os executivos das Juntas de Freguesia de Azambuja e Vila Nova da Rainha. A Direcção Geral de Saúde esteve também representada nesta reunião.

As empresas que laboram na zona industrial constituem um foco de extrema preocupação para os autarcas de Azambuja no âmbito da pandemia de coronavírus que vivemos. São cerca de 8 mil os trabalhadores que operam nestas unidades, parte significativa dos quais viaja com recurso aos comboios da CP, empresa que assegura estarem criadas as condições para que somente um terço do limite de ocupação das carruagens seja preenchido, conforme determinam as autoridades no âmbito das medidas restritivas.
Certo é que a desconfiança em relação a esta garantia dada pela CP tomou conta dos autarcas de Azambuja, que vêem diariamente largas centenas de pessoas apinhadas em comboios da CP chegarem à estação do Espadanal. Nesta reunião colocou-se a possibilidade de abordar as unidades fabris com o intuito de tomar medidas para combater este cenário.
Uma das medidas passa por sugerir que as empresas criem horários desfasados nos seus turnos rotativos, de modo a evitar que os trabalhadores que viajam de comboio se juntem nas carruagens em quantidades proibitivas. Outra das medidas que os autarcas vão sugerir prende-se com a possibilidade das empresas que têm o serviço de transporte de trabalhadores por autocarro próprio possam nesta fase estender esse transporte aos funcionários que ainda utilizam o comboio.

O maior de todos os problemas está na dimensão do alcance da pandemia entre os trabalhadores destas unidades fabris e no impacto que tal nível de infecção poderá significar nas comunidades mais próximas, como Azambuja, Vila Nova da Rainha, Carregado, Alenquer e Aveiras de Cima. Certo é que os casos de coronavírus não param de aumentar na região e a GNR declara não ter efectivos para controlar todos os cidadãos infectados que estão em quarentena nos seus domicílios.
Luís de Sousa: “Vamos agora reunir com as empresas para conhecer o seu funcionamento e as suas dificuldades”
Luís de Sousa declarou ao Fundamental considerar que a reunião desta manhã foi proveitosa. “No seguimento da reunião de hoje vamos agora procurar reunir com algumas das maiores empresas da zona industrial para sugerirmos que os turnos se façam em horários desencontrados”, assegurou o presidente da Câmara de Azambuja.
Luís de Sousa admitiu que esse não será um passo fácil de concretizar porque existem nada mais nada menos do que 220 empresas sediadas neste complexo industrial localizado na Estrada Nacional 3, entre Azambuja e Vila Nova da Rainha.
O autarca assegurou ainda ao Fundamental que vai pedir ao Secretário de Estado dos Transportes informação acerca dos comboios que efectuam o trajecto Lisboa – Azambuja, de forma a confirmar se há condições para que se cumpra a cota de um terço exigida pelo governo no âmbito da pandemia de covid-19.

Já Rui Corça, o vereador eleito pelo PSD na Câmara de Azambuja afirma, a propósito desta reunião: “As autoridades de saúde ou não têm noção do perigo que temos em mãos ou então têm essa noção mas não o querem demonstrar”. Corça acrescentou: “Têm que ser tomadas medidas mais musculadas de forma a evitar termos que chegar a uma situação de cerco, como aconteceu em Ovar”.

Rui Corça realça que um cenário de cerco sanitário levaria a que a actividade tivesse que parar nestas empresas e nesse caso metade do país ficaria com dificuldade em assegurar a presença de alimentos nos supermercados. O vereador do PSD na Câmara de Azambuja afirma temer que as autoridades de saúde estejam de braços cruzados perante um problema que o eleito considera de extrema gravidade.
Ainda sobre este possível cenário de cerco sanitário, Luís de Sousa referiu ao Fundamental: “Isso é um alarmismo do PSD de Azambuja. Eu tive oportunidade de frisar na reunião que não há nada pior do que alarmismos nesta altura. Não é uma situação para ser abordada dessa forma”, acrescenta o Presidente da Câmara de Azambuja.

















