Azambuja: Pai revoltado acusa Santa Casa da Misericórdia de ditadura financeira e frieza humana

Chama-se Ricardo Rosário e é pai de uma menina de 9 anos que frequenta o CATL da Santa Casa da Misericórdia de Azambuja. Ricardo é o rosto da revolta em relação a um cenário de insensibilidade perpetrado pela instituição. Contamos-lhe a história de seguida.

Chama-se Ricardo Rosário e é pai de uma menina de 9 anos que frequenta o Centro de Actividades de Tempos Livres da Santa Casa da Misericórdia de Azambuja. Ricardo deu a conhecer ao Fundamental uma situação que o revolta e que merece passar a ser do conhecimento público, sobretudo nos tempos difíceis que vivemos.

Ricardo é assertivo ao classificar a postura desta instituição de Azambuja: “Partilho esta situação para que possa advertir a sociedade sobre esta ditadura financeira e a frieza humana que assolou esta Instituição”. A revolta deste cidadão contra a SCMA já vem desde há meses, mas agravou-se profundamente quando o Estado declarou o fecho de escolas e instituições de apoio no âmbito da pandemia provocada pelo coronavírus.

Ricardo explica os motivos da sua revolta: “No mês de Março o meu educando esteve apenas 10 dias na Instituição e os restantes 12 dias em casa e o meu pedido de redução da mensalidade foi novamente recusado apesar do Estado manter todos os apoios intactos à Santa Casa da Misericórdia de Azambuja”. Ricardo Rosário revela a resposta que lhe foi dada pelo provedor da instituição: “Não há plano de redução de mensalidade face à conjuntura actual. Sobre esta matéria, aguardamos por instruções das entidades competentes”.

Esta foi a resposta que Ricardo recebeu de Vítor Lourenço, o Provedor da SCMA, no dia 19 de Março de 2020, quando o confrontou com o cenário real em que vive este encarregado de educação. Ricardo, alarmado, teme que o mês de Abril também tenha que ser pago na integra. “E eventualmente todos os outros meses seguintes”, acrescenta.

E esta é a situação laboral que Ricardo vive neste momento, aqui bem explicada pelo próprio: “O meu rendimento foi afectado, diminuiu, tive de tirar férias na Páscoa, a minha empresa entrará em lay-off e ninguém sabe até quando”. Este pai desesperado acrescenta: “Possivelmente as escolas não reabrirão para o terceiro período e, no meio desta incerteza, a distância e a frieza da Santa Casa de Azambuja é aterradora”.

Ricardo Rosário assegura: “Sei que existem famílias em situação pior que a minha, famílias com rendimentos inferiores, famílias a necessitar de mais ajuda do que eu, famílias que têm mais do que um filho, que têm profissões liberais que foram interrompidas, suspensas ou que enfrentam o desemprego… mas que é impossível serem ajudadas neste momento de sufoco e incerteza”. Um relato muito esclarecido deste nosso leitor de Azambuja.

Refira-se ainda que as queixas de Ricardo Rosário em relação à Santa casa de Azambuja já vêm desde o ano passado, conforme o próprio explica: “O serviço é prestado mediante um pagamento de renovação de matrícula em Maio e as novas prestações são estabelecidas de acordo com o IRS e definidas em Setembro”.

Ricardo complementa a explicação: “No ano passado a prestação aumentou dos 20% para 23,25% do rendimento per capita e sem qualquer aviso prévio”. Este encarregado de educação revela ainda que a Santa Casa acrescentou mais 27 euros ao custo mensal do transporte, sendo que, conforme relembra, a renovação da matrícula tinha ocorrido em Maio.

Acrescente-se igualmente que após este aumento inesperado de 50 euros mensais em Setembro Ricardo Rosário ficou a pagar, por inteiro, o serviço prestado entre Setembro de 2019 e Agosto de 2020 no valor de 139 mensais, o que equivalerá a um total de 1.529 euros por ano lectivo. Ricardo garante: “Tenho todas as mensalidades pagas, inclusive a do mês de Março, e não será por esse motivo que possam justificar a recusa de redução”.

De resto, a Santa Casa da Misericórdia de Azambuja não aparenta ser sensível aos muitos dias que as crianças passam em casa: uma semana em Agosto, vésperas de Páscoa, Natal e Carnaval, acrescido de mais os 22 dias de férias de Ricardo, períodos durante os quais a menina está ausente da instituição e não usa o transporte, não consome alimentação nem recursos energéticos. Nem agora, que o Mundo está de “pantanas”, quanto mais nessas alturas, acrescentamos.


Vale a pena ver! Nuno Ferreira num concerto brutal e exclusivo para os leitores do Fundamental Canal

Lancei o desafio a Nuno Ferreira para produzir um concerto em casa para o nosso canal. Nuno é um profissional, da “liga dos campeões” da música, que aqui nos proporciona meia hora de brutal entretenimento, muito bem acompanhado por Fábio Rodrigues (viola baixo) e por Lucas Ferreira, filho do conhecido guitarrista.

VIAAlexandre Silva
COMPARTILHAR