Azambuja: povo ameaça fechar a lixeira à força e Luís de Sousa diz que foi enganado

Luís de Sousa acaba de garantir que terá sido enganado em relação à lixeira que a Triaza explora às portas de Azambuja. O Presidente da Câmara afirma que foi enganado neste processo. População garante que vai resolver este problema, "mesmo contra todas as legalidades".

Luís de Sousa acaba de garantir que terá sido enganado em relação à lixeira que a Triaza explora às portas da vila de Azambuja. O Presidente da Câmara afirma que em 2009 foi ver uma amostra do que se pretendia ali instalar para tapar os buracos resultantes da actividade da antiga Zubareia. “O que vi quando era vereador não é nada daquilo que hoje lá está”, garante o autarca, que na altura fazia parte da equipa liderada por Joaquim Ramos. Luís de Sousa afirma que foi enganado neste processo.

O presidente responde neste momento a um conjunto alargado de munícipes que se dirigiram na tarde desta quarta-feira ao salão nobre do edifício municipal onde decorre a reunião extraordinária anunciada no contexto da problemática do aterro sanitário que está a deixar os habitantes de Azambuja em polvorosa. Um dos munícipes presentes garantiu mesmo que, e citamos, “será a população que irá resolver este problema, mesmo contra todas as legalidades”.

Sousa acrescentou: “Assumo que cometemos um erro, fizemos mal; nós, vereadores do partido socialista, provavelmente na altura decidimos mal em relação àquela lixeira. Reflectimos e chegámos a essa conclusão, e eu assumo essa posição sem qualquer problema. Se era isto que queriam ouvir, já ouviram”, disse ainda há minutos Luís de Sousa perante largas dezenas de habitantes de Azambuja que assistem à reunião do executivo.

O líder do executivo maioritário que governa a autarquia azambujense acrescentou ainda: “Vêm ali todas as entidades responsáveis e dizem que nada há ali de mal, mas a verdade é que as gaivotas voam até àquele aterro em grande número seguramente não para comer plástico; há ali mais qualquer coisa”, acrescenta o presidente. Como resposta, uma munícipe afirmou: “está então na altura de meter as autoridades fiscalizadoras em tribunal, pois se também eles nada fazem”.

Acrescente-se que autarquia e Triaza andam de candeias às avessas e a questão da lixeira já está entregue à justiça, onde empresa e município esgrimem argumentos e procuram defender interesses que aparentemente colidem. A Freguesia de Azambuja também anunciou ontem que vai meter um processo judicial contra a Triaza, que explora a tristemente afamada lixeira. A população está pelos cabelos com aquele aterro, que trouxe maus cheiros e resíduos suspeitos, inclusive lixo que se suspeita ter origem em países estrangeiros.

A verdade é que naquele local contam-se dezenas de aves a remexer no lixo e há ainda a suspeita de que existe amianto depositado no aterro. Todo o lixo e material que se encontra na lixeira apresenta-se já em estado de decomposição e liberta substâncias prejudiciais para a saúde pública. Os animais que andam em cima do lixo configuram também um problema acrescido de saúde pública, já que povoam zonas urbanas e nelas depositam vestígios do aterro.


VIAAlexandre Silva
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