Azambuja: mais de uma centena manifestam-se à porta da Câmara contra lixeira da Triaza

Mais de uma centena de moradores estão concentrados em frente à Câmara de Azambuja. Exigem ao executivo a resolução do problema da lixeira da Triaza. Foi decidido levar à próxima reunião de câmara uma proposta de indeferimento do pedido de alteração do calendário de execução da operação urbanística solicitada pela empresa Triaza.

Os habitantes de Azambuja continuam determinados na luta contra a presença do aterro da Triaza, local polémico mais conhecido pela “lixeira de Azambuja”. Mais de uma centena de moradores estão concentrados na manhã desta segunda-feira em frente ao edifício da autarquia. Exigem ao executivo e ao presidente da Câmara a resolução deste problema.

No interior do edifício sede da Câmara de Azambuja está a decorrer uma reunião que envolve presidente da autarquia, Luís de Sousa, e ainda toda a vereação eleita e a representante dos serviços jurídicos da Câmara. E desta reunião já saiu “fumo branco”, com o executivo a tomar a decisão de levar à próxima reunião de câmara que se realiza quarta-feira, dia 5 de Janeiro, uma proposta de indeferimento do pedido de alteração do calendário de execução da operação urbanística solicitada pela empresa Triaza. Luís de Sousa garante que esta decisão vai de encontro às preocupações referidas pelos mais de cem manifestantes que se encontram à porta do edifício municipal.

Relembre-se que recentemente foi determinado pela justiça que a afamada lixeira de Azambuja iria continuar em actividade e a expandir a abrangência dos terrenos ocupados. O município de Azambuja foi obrigado a autorizar que esta actividade de acumulação de resíduos passe agora a ocupar uma nova parcela de terreno dentro do perímetro do aterro.

A obrigação foi decretada pela justiça no seguimento de um recurso apresentado pela empresa Triaza, a entidade que explora o contestado aterro. Recorde-se que a autarquia liderada por Luís de Sousa tinha sido alvo de um processo por parte desta empresa, mas a Câmara de Azambuja acabou por lhe ver reconhecida razão no tribunal de primeira instância. Na altura, a Triaza ficou condicionada na sua actividade.

No recurso interposto pela Triaza a justiça acabou por dar razão à “lixeira”.  A câmara foi obrigada a autorizar uma segunda parcela de terreno que vai acabar por receber mais resíduos. Entretanto, no aterro da empresa Triaza contam-se dezenas de aves a remexer no lixo e há ainda a suspeita de que existe amianto no local. Todo o lixo e material que se encontra no aterro apresenta-se já em estado de decomposição e liberta substâncias prejudiciais para a saúde pública. Os animais que andam em cima do lixo configuram também um problema acrescido de saúde pública, já que povoam zonas urbanas e nelas depositam vestígios do aterro.

O maior de todos os problemas levantados por este aterro em Azambuja é que o tratamento de resíduos industriais realiza-se a escassos metros de algumas casas. As descargas de amianto são outro problema: foram denunciadas recentemente pela associação Zero e suspeita-se que sejam ilegais. “Fala-se que são materiais perigosos que os outros países não querem”, diz-se em Azambuja.


VIAAlexandre Silva
COMPARTILHAR